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    Relação do Brasil com Rússia, China e Venezuela seria tema espinhoso entre Biden e Lula, diz especialista

    Em entrevista à CNN, a coordenadora do curso de relações internacionais na FAAP, Fernanda Magnotta avaliou quais temas podem gerar divergência durante o encontro entre Lula e Joe Biden

    Fernanda PinottiRenata Souzada CNN

    em São Paulo

    Em entrevista à CNN, a coordenadora do curso de relações internacionais na FAAP, Fernanda Magnotta, avaliou quais temas podem gerar divergência durante o encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente americano, Joe Biden. Lula embarcou rumo aos Estados Unidos na manhã desta quinta-feira (9).

    De acordo com ela, a pauta ambiental deve ter grande destaque na reunião.

    “Além de prestar contas sobre a situação na terra Yanomami, Lula deve tentar mostrar que o governo mudou e que os Estados Unidos deveriam ajudar o Brasil na preservação ambiental. Eu não estranharia o anúncio de uma parceria estratégica ou o firmamento de um acordo nesse sentido”, disse a professora.

    Além do meio ambiente, conversas sobre o comércio bilateral entre os países e a dinamização de investimentos também devem ter convergência entre ambos os líderes de Estado.

    Alguns possíveis “temas espinhosos”, segundo Magnotta, seriam a relação do Brasil com os países em desenvolvimento membros do BRICS, principalmente China e Rússia, já que a posição brasileira perante o conflito na Ucrânia deve entrar na pauta da reunião.

    Além disso, a situação da entrada do Brasil na OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e a política regional, principalmente no que diz respeito à relação do Brasil com a Venezuela, também são pontos de divergência entre os dois.

    Combate a fake news

    Lula e Biden também devem falar sobre o combate às fake news. “Existe uma correspondência [entre o ataque aos Três Poderes que aconteceu em Brasília e o ataque ao Capitólio que aconteceu em Washington] e não é por acaso”, disse a professora.

    Ela ressaltou que já existe algum tipo de cooperação internacional para combater a desinformação, mas depois desses episódios nos dois países, “não se pode mais evitar esse assunto como parte da política externa”.

    Magnotta prevê que devem ser criados grupos de trabalho sobre o tema e até mesmo algum tipo de articulação multilateral. Um desafio, porém, é que as definições de liberdade de expressão não são as mesmas nos dois países. E a iniciativa para combater a desinformação precisa integrar vários setores, inclusive as grandes empresas de comunicação.

    “O efeito da desinformação em cadeia afeta fortemente o futuro das relações internacionais”, avaliou a professora.