Relatório da ONU aponta que Coreia do Norte segue desenvolvendo programa nuclear

Segundo o documento, a capital Pyongyang "continuou a buscar material e tecnologia para esses programas no exterior"

Prédio em Pyongyang, capital da Coreia do Norte
Prédio em Pyongyang, capital da Coreia do Norte Foto: gfs_mizuta/ Pixabay/ Reprodução

Michelle Nichols, da Reuters

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Um relatório confidencial das Nações Unidas obtido pela agência Reuters nesta sexta-feira (6) aponta que a Coreia do Norte — mesmo com a piora da situação econômica do país — continuou a desenvolver seus programas de mísseis nucleares e balísticos durante o primeiro semestre de 2021, violando as sanções internacionais.

Segundo o documento, a capital Pyongyang “continuou a buscar material e tecnologia para esses programas no exterior”.

“Apesar do foco do país no agravamento das dificuldades econômicas, a República Popular Democrática da Coreia continuou a manter e desenvolver seus programas nucleares e de mísseis balísticos”, concluíram os monitores de sanções.

A Coreia do Norte é formalmente conhecida como República Popular Democrática da Coreia (RPDC). A missão da Coreia do Norte nas Nações Unidas em Nova York não respondeu a um pedido de comentário sobre o relatório da ONU.

A isolada nação asiática impôs um bloqueio estrito no ano passado em meio à pandemia de coronavírus que reduziu seu comércio e acesso à ajuda, prejudicando uma economia já sobrecarregada por sanções internacionais.

Em junho, o líder Kim Jong Un disse que o país enfrentava uma situação alimentar “tensa” e que muito dependeria das colheitas deste ano.

“As declarações feitas pela RPDC sugeriram um aprofundamento da crise humanitária no país, embora o bloqueio da Covid-19 signifique que o impacto relativo das sanções na situação humanitária provavelmente diminuiu”, dizem os monitores da ONU.

“Com o comércio praticamente interrompido pelo bloqueio e a safra do ano passado seriamente afetada pelas enchentes, as perspectivas atuais da população em geral da RPDC são ruins”, disseram eles.

A Coreia do Norte está sujeita a sanções da ONU desde 2006 por causa de seus programas nucleares e de mísseis balísticos. O Conselho de Segurança tem fortalecido constantemente as sanções em uma tentativa de cortar o financiamento dos programas.

Entre as sanções impostas estão a proibição da exportação de carvão e outras commodities e a importação de petróleo.

“As exportações marítimas da RPDC de carvão e outras commodities sancionadas continuaram, mas em um nível muito reduzido. A importação de produtos petrolíferos relatada ao painel caiu substancialmente no primeiro semestre do ano”, segundo o relatório da ONU.

Pyongyang também continuou a acessar instituições financeiras internacionais e os trabalhadores norte-coreanos continuaram ganhando dinheiro no exterior para uso em programas estaduais, disseram os monitores de sanções da ONU, acrescentando: “As autoridades estrangeiras continuaram a sentir pressão para desenvolver fontes de receita”.

Os monitores disseram que continuavam investigando o envolvimento da Coreia do Norte na atividade cibernética global e na colaboração de acadêmicos e universidades norte-coreanas com institutos científicos no exterior, “concentrando-se em estudos com aplicações potenciais em programas de WMD (armas de destruição em massa)”.

Eles já haviam relatado que a Coreia do Norte roubou centenas de milhões de dólares usando ataques cibernéticos.

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