Repórter da CNN mostra que tráfico de pessoas gera temor entre refugiados na Ucrânia

Voluntários prestam serviço em ambulâncias na estação central de Lviv, no oeste ucraniano, principal rota de saída do país

Da CNN

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Mesmo com a urgência e perigo da guerra, muitos refugiados ficam receosos de utilizar serviços para saída da Ucrânia com medo do tráfico de pessoas. É o que conta o enfermeiro sueco Johan Thyr ao enviado especial da CNN Brasil, Mathias Brotero.

Johan presta trabalho voluntário na estação central da cidade de Lviv. Sua atividade diária envolve a procura de pessoas que queiram deixar o país na ambulância que opera.

A prioridade é para crianças doentes, levadas para abrigos ou hospitais, dependendo de sua condição. Mas também transportam adultos, caso haja espaço. Mesmo assim, o trabalho gratuito atraí desconfianças.

“Eles [temem] casos de tráfico de pessoas, quando dizem a eles que são transportadores de refugiados e os levam para bordéis e coisas do tipo do outro lado da fronteira e na Alemanha”, explica Johan.

Lviv se tornou um dos principais lugares para partida de pessoas da Ucrânia. O destino prioritário é a Polônia, que já recebeu quase dois milhões de refugiados desde o início da guerra. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), mais de três milhões já cruzaram a fronteira com países vizinhos.

Há também outras alternativas para quem não consegue ou não quer cruzar a fronteira. Um hospital foi montado no estacionamento de um shopping da cidade para receber principalmente refugiados, deslocados e também militares da linha de frente.

No local eles encontram um pronto-socorro, salas de cirurgia, maternidade e também salas para descanso pelo tempo que for necessário.

Segundo o médico norte-americano Chris Brandenburg, o hospital foi construído, inicialmente, para receber combatentes que estão na linha de frente. Mas até agora, a maioria dos pacientes são pessoas que, ao tentarem fugir, interromperam tratamentos de doenças crônicas.

“Temos alguns exemplos, alguns casos tristes como pessoas com câncer que seriam operadas, muitas pessoas que estão sem suas medicações. Eles tinham consultas com seus médicos para pegar os remédios que esgotaram. Seus quadros de diabetes estão fora de controle, pressão arterial fora de controle”, explica Brandenburg.

Além de pessoas deslocadas, a unidade de saúde também recebe moradores de Lviv que decidiram ficar na cidade. Entretanto, a sensação de que os russos estão cada vez mais próximos, têm feito algumas pessoas mudarem de ideia.

É o caso de Guita, natural de Moldova, mas que mora em Lviv há 10 anos. Ela aceitou a oferta do Johan, mesmo sem saber onde irá ficar na Polônia. As constantes sirenes a obrigaram a tomar a decisão de deixar o país com os três filhos.

“Essa guerra é terrível. As crianças estão com muito medo. E tudo por causa de uma pessoa que começou a guerra. Estamos todos sofrendo. Mas felizmente temos ajuda”, desabafa.

 

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