Resposta sobre a China põe em dúvida histórico da porta-voz de Trump

Declaração de Katie Zacharia sobre ter atuado na China gerou questionamentos por conta das restrições legais locais para profissionais estrangeiros no país

Kokkai Ng, Trevor Hunnicutt, Karen Sloan e Joe Cash, da Reuters

A nova secretária de imprensa da Casa Branca, Katie Zacharia, enfrentou perguntas na quarta-feira (14) sobre sua trajetória jurídica antes de se tornar a principal porta-voz do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Zacharia, que assumiu o cargo na Casa Branca na segunda-feira (12), afirmou ter exercido a advocacia antes de ingressar na política. Trump referiu-se a ela como advogada.

No entanto, a agência de notícias Reuters não encontrou registros que comprovem que Zacharia tenha sido inscrita como advogada ou membro da ordem dos advogados em qualquer estado dos EUA ou no Distrito de Colúmbia.

Segundo a Universidade Pepperdine, Zacharia obteve seu diploma em direito pela instituição em 2011.

Embora quase todos os advogados licenciados nos EUA possuam um diploma em direito, a graduação, por si só, não confere o direito de exercer a advocacia no país; é necessário, antes, ser admitido na ordem dos advogados de um estado.

Ao ser questionada por um repórter na terça-feira (13) sobre onde teria sido aprovada no exame da ordem, Zacharia respondeu: "quando me mudei para a China".

Na China, a lei exige que os advogados em exercício sejam cidadãos chineses. Profissionais estrangeiros podem prestar consultoria e aconselhamento em questões jurídicas, mas não podem exercer a advocacia.

De acordo com seu perfil no LinkedIn, Zacharia atuou como associada no escritório de advocacia Zhong Lun, em Pequim, de 2011 a 2013, e como consultora jurídica geral na "Fix California" — um grupo de defesa de interesses fundado por Ric Grenell, aliado de Trump — entre 2024 e 2025.

O escritório Zhong Lun não respondeu a pedidos de comentário enviados por e-mail.

A Casa Branca também não respondeu a perguntas sobre a formação jurídica ou as credenciais de Zacharia.

"Exerci o direito voltado a transações internacionais, contando com todas as credenciais apropriadas", declarou Zacharia em um comunicado enviado por e-mail na quarta-feira.

Os questionamentos sobre as credenciais de Zacharia surgem no momento em que ela assume o posto, apenas três semanas antes das eleições de meio de mandato de novembro — um período crucial, no qual o presidente busca destacar as realizações de sua administração e ajudar seus correligionários republicanos a manter o controle do Congresso.

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