Rússia ataca sul da Ucrânia em retaliação a navio afundado, diz governo local

Porta-voz ucraniana disse a repórteres que o ataque à embarcação "afetou não apenas os navios, mas também as ambições imperiais do inimigo"

Tim Lister e Olya Voitovych, da CNN
Foto tirada pro drone mostra destruição em prédio residencial de Mariupol, no sul da Ucrânia, em 14 de abril de 2022.  • REUTERS
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Uma porta-voz das Forças Armadas ucranianas no sul da Ucrânia sugeriu que os ataques com mísseis russos que acontecem desde a noite de quinta-feira (14) são uma retaliação pelo naufrágio do cruzador russo Moskva. Natalia Humeniuk disse que o ataque "afetou não apenas os navios, mas também as ambições imperiais do inimigo". A Rússia confirmou que fez ataques nos arredores da capital Kiev nesta sexta-feira (15).

A porta-voz ucraniana disse em uma coletiva de imprensa que, após o ataque aos russos, "todos percebemos que não seremos perdoados".

A Ucrânia disse que dois de seus mísseis antinavio atingiram o cruzador Moskva, enquanto o Kremlin disse apenas que um incêndio a bordo levou ao eventual naufrágio da principal embarcação de sua frota do Mar Negro.

Humeniuk disse que "quando a munição detonou, isso mostrou que eles estavam carregados o suficiente para continuar destruindo a Ucrânia. O impacto levou à detonação da munição, eles começaram a lutar pela sobrevivência".

"Vimos outros navios tentando ajudar o cruzador, mas até a natureza estava do lado da Ucrânia, porque a tempestade não permitiu realizar uma operação de resgate ou evacuar o pessoal", continuou ela.

Humeniuk fez referência a ataques de mísseis russos no sul desde a noite de quinta-feira após o ataque ao Moskva.

"Atualmente há um ataque em Mykolaiv. Vemos que este é novamente o uso de munições cluster proibidas por convenções internacionais", disse ela. Esse tipo de munição se abre e lança uma série de bombas menores, que não são teleguiadas, seguem em queda livre. Entre 10% e 40% dos casos as das bombas não explodem na hora, resultando em regiões e países infestados com dezenas de milhares de submunições não detonadas e altamente instáveis.

Humeniuk disse que a situação nas regiões de Mykolaiv e Kherson "é caracterizada pelo fato de que o inimigo usa suas maneiras brutais na colocação de equipamentos e unidades entre os civis locais e a infraestrutura civil como escolas, jardins de infância, hospitais e pátios dos moradores locais."

"Então, à noite, eles desaparecem dessas posições, deixam as aldeias e as bombardeiam, enquanto acusam as Forças Armadas ucranianas de bombardear civis", disse ela.

"Tais ações são conduzidas para justificar seu status de libertadores nos territórios ocupados", acrescentou.

"Percebemos que os ataques a nós aumentarão, que o inimigo tentará se vingar", disse Humeniuk. "Estamos prontos, estamos resistindo."

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