Rússia demonstra força nuclear em meio ao aumento de tensões com a Otan
Moscou realiza alguns de seus maiores exercícios em anos em manobras que envolvem submarinos e mísseis

Nesta quinta-feira (21), a Rússia entregou munições nucleares a instalações de campanha em Belarus e exibiu elementos de suas forças nucleares estratégicas, em meio ao aumento das tensões com os membros europeus da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) devido à guerra na Ucrânia e à atividade de drones no Mar Báltico.
Moscou está realizando alguns de seus maiores exercícios nucleares em anos, envolvendo 64 mil pessoas para treinar suas forças na "preparação e uso de forças nucleares em caso de agressão".
Como parte dos exercícios, a Rússia exibiu um submarino nuclear de mísseis balísticos da classe Borei, uma aeronave antissubmarino Il-38, um MiG-31 armado com um míssil hipersônico Kinzhal e mísseis balísticos intercontinentais RS-24 Yars.
"Como parte do exercício das forças nucleares, munições nucleares foram entregues às instalações de armazenamento de campanha da área de posicionamento da brigada de mísseis na República de Belarus", afirmou o Ministério da Defesa russo.
Os exercícios envolvem as Forças de Mísseis Estratégicos, as frotas do Norte e do Pacífico, a aviação de longo alcance e unidades dos distritos militares de Leningrado e Central.
Uma unidade de mísseis em Belarus está treinando para receber munições especiais para o sistema de mísseis táticos móveis Iskander-M, incluindo o carregamento de munições em veículos de lançamento, informou a Rússia.
Exercícios nucleares
Os exercícios nucleares russos normalmente utilizam ogivas simuladas. Um vídeo divulgado pelo Ministério da Defesa mostrava um caminhão militar coberto por uma lona, trafegando com segurança mínima, enquanto outros mostravam submarinos nucleares, aeronaves e navios de guerra.
O exercício de três dias, que começou na terça-feira (19) na Rússia e em Belarus, ocorre em um momento em que Moscou afirma estar travando uma luta existencial com o Ocidente por causa da Ucrânia.
Ao longo da guerra, o presidente Vladimir Putin tem reiterado o poderio nuclear russo como um aviso ao Ocidente para que não ultrapasse os limites em seu apoio a Kiev. A Ucrânia e alguns líderes ocidentais rejeitaram tais ações, classificando-as como uma demonstração de força irresponsável.
Tensão nos países bálticos aumenta
Moscou acusou os países bálticos de permitirem que a Ucrânia sobrevoasse seus territórios para atacar o norte da Rússia, acusação negada pela Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).
Os Estados bálticos, todos fortes apoiadores da Ucrânia, argumentam que a Rússia está redirecionando drones ucranianos para seu espaço aéreo, desviando-os de seus alvos originais no território russo.
O governo russo criticou as declarações do principal diplomata da Lituânia, Kestutis Budrys, na quarta-feira (20), classificando-as como "beirando a insanidade", após o ministro das Relações Exteriores ter afirmado que a Otan precisava demonstrar a Moscou sua capacidade de entrar no território russo de Kaliningrado.
A região de Kaliningrado está situada entre a Lituânia e a Polônia, que são países membros da organização, na costa do Mar Báltico. Possui uma população de cerca de um milhão de habitantes e é fortemente militarizada, servindo como sede da Frota do Báltico da Rússia.


