Rússia diz que alegações de Trump sobre guerra na Ucrânia "são equivocadas"

Declaração ocorre após presidente dos EUA afirmar que Kiev poderia recapturar terras controladas por Moscou

Andrew Osborn, Dmitry Antonov, Mark Trevelyan, Sharon Singleton e Hugh Lawson, da Reuters
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A Rússia rejeitou nesta quarta-feira (24) os argumentos que fizeram o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dar novas declarações sobre a guerra na Ucrânia, afirmando forneceria aos EUA “informações reais” sobre o que estava acontecendo no campo de batalha.

Em uma abrupta mudança retórica a favor de Kiev, Trump disse na terça-feira (23) que acreditava que a Ucrânia poderia recapturar todas as suas terras tomadas pela Rússia — que controla cerca de um quinto do país — e que deveria agir agora, com Moscou enfrentando “grandes” problemas econômicos.

O governo russo respondeu que a economia russa estava estável, apesar de alguns problemas causados ​​pelas sanções, e que o avanço lento, mas constante, das forças russas na Ucrânia era parte de uma estratégia deliberada, com Kiev, e não Moscou, na defensiva.

“Até onde sabemos, as declarações do presidente Trump foram feitas após comunicação com (o presidente ucraniano) Zelensky e, aparentemente, sob a influência de uma visão estabelecida por Zelensky. Essa visão contrasta fortemente com nossa compreensão da situação atual”, declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, a repórteres.

“O fato de a Ucrânia estar sendo incentivada de todas as maneiras possíveis a continuar as hostilidades e o argumento de que a Ucrânia pode reconquistar algo é, em nossa opinião, um argumento equivocado... A dinâmica nas linhas de frente fala por si”, continuou ele.

Embora a Rússia continue avançando em muitas áreas, não obteve avanços na Ucrânia há algum tempo.

Encontro de Rubio e Lavrov

Peskov afirmou que o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, se reunirá com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, ainda nesta quarta-feira (24) e fornecerá “informações reais” a Washington sobre a situação na Ucrânia.

Peskov afirmou que os avanços incrementais da Rússia na Ucrânia foram resultado do que ele chamou de uma estratégia bem pensada.

“Estamos avançando com muito cuidado para minimizar as perdas e não destruir nosso potencial ofensivo”, afirmou.

Analistas militares ocidentais atribuem a ausência recente de avanços russos à defesa ucraniana determinada e engenhosa e à natureza da guerra com drones, com os dois lados desgastados por mais de três anos e meio de guerra.

O ex-presidente Dmitry Medvedev, agora vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, disse que Trump “caiu em uma realidade alternativa” e previu que mudaria de ideia novamente.

“O principal é continuar mudando de posição 180 graus em todas as questões possíveis. É assim que se governa um Estado com sucesso por meio das mídias sociais”, afirmou Medvedev.

Margarita Simonyan, uma das principais executivas da mídia estatal russa, comparou Trump a uma cartomante prometendo à sua cliente — a Ucrânia — o impossível, ao falar da capacidade de Kiev de retomar território.

“Trump estreia como a cartomante dizendo à mulher três vezes divorciada que ela vai conhecer aquele príncipe bilionário, desde que compre os cristais mágicos”, escreveu Simonyan no X.