Rússia diz que capturou cidade importante após meses de batalha na Ucrânia

Ministério da Defesa russo publicou imagens mostrando tropas na região; Exército ucraniano nega que tenha perdido controle do território

Daria Tarasova-Markina, Victoria Butenko e Tim Lister, da CNN
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A Rússia afirma que suas forças capturaram da cidade de Chasiv Yar, no leste da Ucrânia, após quase 18 meses de combates intensos na área.

O Exército ucraniano confirmou nesta quinta-feira (31) que as forças russas atacaram locais perto de Chasiv Yar, mas negou que a cidade tenha sido perdida: "Chasiv Yar permanece sob o controle do 11º Corpo do Exército".

O Ministério da Defesa russo publicou imagens de drones mostrando suas tropas em partes da cidade e disse que mais de 4.200 prédios e estruturas foram limpos, e que cerca de 50 soldados ucranianos foram feitos prisioneiros.

Chasiv Yar tinha uma população de 12 mil habitantes antes da guerra, mas agora está em ruínas após dois anos de ataques aéreos e de artilharia.

As forças russas iniciaram um ataque ao município em abril do ano passado, após expulsar as forças ucranianas de Bakhmut. Analistas estimam que, desde então, a Rússia sofreu milhares de baixas tentando superar as defesas ucranianas.

O DeepState, um site ucraniano de código aberto que mapeia as linhas de frente da guerra, mostrou que as forças de Kiev ainda estavam presentes na extremidade oeste da cidade.

O site acrescentou que um vídeo do Ministério da Defesa russo mostrou suas tropas fincando bandeiras em dois bairros, mas afirmou que os russos não tinham controle sobre essas áreas.

"Cinturão de defesa" da Ucrânia ameaçado

Se confirmada, a tomada de Chasiv Yar proporcionaria uma posição privilegiada para os russos e ameaçaria o que é conhecido como o cinturão de fortalezas da Ucrânia na região de Donetsk, incluindo as cidades de Slovyansk, Kramatorsk e Kostyantynivka.

Essas cidades são periodicamente atingidas por mísseis russos e bombas planadoras lançadas por aeronaves.

Nesta quinta-feira (31), uma pessoa morreu e cerca de uma dúzia ficou ferida em um ataque que destruiu parte de um prédio de cinco andares em Kramatorsk, segundo a administração militar local.

Em toda a região de Donetsk, as tropas russas avançaram lentamente este ano, apesar das pesadas baixas sofridas. A cidade de Pokrovsk está cercada por três lados e unidades russas avançaram até a fronteira entre Donetsk e a região de Dnipropetrovsk.

Analistas afirmam que as forças russas adaptaram suas táticas, movendo-se em grupos menores, a pé ou em motocicletas, para escapar das defesas de drones ucranianos.

Ataque com mísseis em Kiev

Na madrugada desta quinta-feira (31), a Rússia lançou outro grande ataque com mísseis e drones contra a capital Kiev. Um menino de seis anos e a mãe estavam entre as oito pessoas mortas, segundo autoridades locais.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse que mais de 50 pessoas foram hospitalizadas. Nove eram crianças, o maior número em uma única noite, de acordo com o prefeito de Kiev, Vitaliy Klitschko.

Um míssil russo atingiu diretamente um prédio residencial no distrito ocidental de Sviatoshynskyi, de acordo com Tymur Tkachenko, chefe da administração militar na capital ucraniana.

Um homem foi resgatado dos escombros após ficar preso por mais de três horas, enquanto parentes de outros desaparecidos aguardavam ansiosamente enquanto as equipes de resgate tentavam remover os destroços.

Uma mulher presente no local contou à CNN que sua mãe e irmã estavam no prédio quando o míssil atingiu o edifício.

Iryna Tsymokh, de 53 anos, disse que ela e sua família tinham acabado de voltar de um abrigo quando houve outro ataque. "As portas foram arrombadas. Meu filho gritava muito alto... Todos nós simplesmente pulamos para fora, como estávamos, de pijama", afirmou.

Já Zoya Onishenko disse que seu apartamento foi destruído. Ela só estava viva porque havia passado a noite em sua fazenda no campo.

Zelensky disse que as forças russas lançaram mais de 300 drones e oito mísseis contra a capital, descrevendo-o como um ataque insidioso deliberadamente calculado para sobrecarregar o sistema de defesa aérea.

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