Rússia diz que Putin e Trump poderiam se encontrar ainda este mês

Presidentes se falaram por telefone no início de fevereiro e realizaram reunião sobre guerra na Ucrânia e diplomacia entre os países

Guy Faulconbridge, Lucy Papachristou e Mark Trevelyan, da Reuters
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, em entrevista coletiva com presidente da Rússia, Vladimir Putin, em Helsinque, em 2018
Donald Trump, então presidente dos Estados Unidos, em entrevista coletiva com presidente da Rússia, Vladimir Putin, em Helsinque, em 2018  • 16/07/2018 REUTERS/Kevin Lamarque
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O presidente russo, Vladimir Putin, e o presidente dos EUA, Donald Trump, poderiam se encontrar neste mês, embora o primeiro encontro cara a cara entre um líder russo e um dos EUA, desde 2021, também pode levar mais tempo para ser preparado, declarou o governo da Rússia nesta quarta-feira (19).

Trump afirmou na terça-feira (18) que provavelmente se encontraria com Putin neste mês e rejeitou a preocupação da Ucrânia sobre ser deixada de fora das negociações EUA-Rússia na Arábia Saudita, ao mesmo tempo, em que sugeriu que Kiev poderia ter chegado a um acordo com a Rússia antes.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Pesco, informou que a reunião em Riade foi focada nos laços bilaterais Rússia-EUA, mas que foi um "passo muito, muito importante" para chegar a um acordo sobre a guerra na Ucrânia, que se aproxima do quarto ano.

"Mas este é o primeiro passo, naturalmente, é impossível recuperar tudo em um dia ou uma semana. Há um longo caminho a percorrer", ressaltou Peskov.

Questionado se uma reunião entre Putin e Trump poderia ocorrer neste mês, o porta-voz foi citado pela agência de notícias Interfax dizendo que "possivelmente sim e não".

O líder russo e o ex-presidente Joe Biden, realizaram uma cúpula em Genebra em junho de 2021. Essa foi a última vez que um líder dos EUA e da Rússia se encontraram cara a cara, embora Biden e Putin tenham telefonado em fevereiro de 2022 e as mensagens tenham sido passadas por intermediários.

Encontro entre Biden e Putin, em junho de 2021, em Geneva • Foto: Peter Klaunzer - Pool/Keystone via Getty Images
Encontro entre Biden e Putin, em junho de 2021, em Geneva • Foto: Peter Klaunzer - Pool/Keystone via Getty Images

Trump alterou a política ocidental sobre a Rússia e a Ucrânia, ordenando negociações com o Kremlin sem Zelensky ou potências europeias, falando com Putin e também sobre reduzir o preço do petróleo - do qual os russos são grandes exportadores.

O presidente americano afirma que quer acabar com a guerra e acredita que o líder russo quer fazer um acordo.

Mas ele ainda precisa detalhar o plano para interromper um conflito que deixou faixas da Ucrânia destruídas, matou ou feriu centenas de milhares de pessoas e levantou temores de um confronto direto entre a Rússia e os Estados Unidos, as duas maiores potências nucleares do mundo.

As negociações em Riade foram as primeiras que americanos e a russos realizaram para buscar o fim da guerra, a mais mortal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

Nenhum oficial ucraniano ou europeu foi convidado. Kiev disse que não aceitará nenhum acordo imposto sem seu consentimento.

Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, se encontram na Arábia Saudita para negociações sobre guerra na Ucrânia. • Russian Foreign Ministry / Handout/Anadolu via Getty Images
Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, se encontram na Arábia Saudita para negociações sobre guerra na Ucrânia. • Russian Foreign Ministry / Handout/Anadolu via Getty Images

O conflito no leste do território ucraniano começou em 2014 depois que um presidente amigo do Kremlin foi derrubado na Revolução Maidan da Ucrânia e os russos anexaram a Crimeia, com forças separatistas apoiadas pela Rússia lutando contra as forças armadas da Ucrânia.

Em 2022, Putin enviou seu exército para a Ucrânia no que ele chamou de "operação militar especial". Segundo ele, era necessário para proteger os falantes de russo no país e combater o que ele afirmou ser uma grave ameaça à Rússia de uma possível filiação do país vizinho à Otan.

Zelensky e o Ocidente lançaram a guerra como uma apropriação de terras ao estilo imperial que ameaça a segurança europeia, e alegam que os russos poderiam ir mais longe e atacar a aliança um dia.

A Rússia descarta tais alegações como absurdas.