Rússia diz ter avançado em cidade-chave na Ucrânia; Kiev nega
Pokrovsk pode ser a conquista territorial russa mais importante dentro da Ucrânia; o local é um centro de transporte e logística alvo de ofensivas desde o início da guerra

Tropas russas avançaram na cidade de Pokrovsk, no leste na Ucrânia, um importante centro de transporte e logística alvo de ofensivas durante um ano, segundo informações do Ministério de Defesa russo nesta segunda-feira (3).
Moscou afirma que seus soltados destruíram o que foi descrito como "formação ucraniana" ao lado da estação ferroviária e da zona industrial de Pokrovsk.
Segundo a Ucrânia, suas forças de defesa estão resistindo à ocupação.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse a repórteres que a Rússia estava concentrando tropas perto da cidade de Dobropillia, onde as forças de Kiev avançaram no início deste ano em uma contraofensiva bem-sucedida.
O líder descreveu a situação em Dobropillia como "delicada", e estima que cerca 300 militares russos permanecem na cidade sitiada.
As forças russas, segundo ele, perderam a iniciativa na área, mas estavam enviando mais tropas.
O chefe do exército ucraniano, Oleksandr Syrskyi, afirmou que suas forças intensificaram a pressão sobre Dobropillia com o objetivo de forçar a Rússia a desviar sua atenção de Pokrovsk.
Os militares ucranianos afirmaram que as tropas russas não tinham controle total de nenhum distrito da cidade.
Pokrovsk tinha uma população de cerca de 60 mil habitantes antes da guerra, mas a maioria dos civis fugiu de suas ruínas há muito tempo.
Capturá-la poderia dar a Moscou uma plataforma para avançar em direção a Kramatorsk e Sloviansk, as duas maiores cidades ainda controladas pela Ucrânia na região de Donetsk, que a Rússia deseja capturar por completo.
A Reuters não conseguiu verificar de forma independente os relatos do campo de batalha de nenhum dos lados.
Negociações de paz estagnadas
Se as forças russas conseguirem tomar a cidade, Pokrovsk pode ser a conquista territorial mais importante dentro da Ucrânia desde que Moscou tomou a cidade destruída de Avdiivka no início de 2024, após uma das batalhas mais sangrentas da guerra.
Desde então, a Rússia tem obtido avanços constantes, mas lentos, em intensos combates ao longo da linha de frente de 1.000 km de uma guerra que se arrasta há mais de três anos e oito meses desde a invasão em grande escala de Moscou.
Nenhuma negociação de paz presencial ocorreu desde julho, apesar das tentativas do presidente dos EUA, Donald Trump, de pressionar pelo fim do conflito.
Kiev afirma que os combates estão em grande parte em um impasse e que as suas perdas territoriais são marginais; Moscou diz que continua a obter ganhos importantes.


