Rússia alerta EUA sobre situação na Venezuela

Governo russo pede que Washington reveja posição após confirmação de que o presidente venezuelano foi levado para fora do país

Da CNN Brasil
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A Rússia emitiu um alerta neste sábado (3) pedindo que os Estados Unidos libertem o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, segundo comunicado divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores russo.

O chanceler russo, Sergei Lavrov, afirmou: “Diante dos relatos confirmados de que o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa estão nos Estados Unidos, instamos veementemente a liderança americana a reconsiderar sua posição e libertar o presidente legalmente eleito de um país soberano e sua esposa”.

A manifestação russa ocorre em meio à repercussão internacional da confirmação feita por Donald Trump sobre a captura do presidente venezuelano, o que elevou a tensão diplomática entre Washington, Caracas e aliados do governo Maduro.

Acusações e processo judicial

Também neste sábado, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou uma nova acusação contra Maduro, além de sua esposa e de seu filho. Segundo o órgão, o presidente venezuelano e seus aliados transformaram as instituições do país em um foco de corrupção alimentada pelo narcotráfico para benefício próprio.

A acusação consta que esse esquema "enriquece os bolsos de autoridades venezuelanas e suas famílias, ao mesmo tempo que beneficia narcoterroristas violentos que operam impunemente em solo venezuelano e que ajudam a produzir, proteger e transportar toneladas de cocaína para os Estados Unidos".

Desde 2020, Maduro responde a processos nos EUA por narcoterrorismo, suspeitas envolvendo importar cocaína e crimes relacionados. Investigações americanas apontam uma conspiração de décadas, na qual o líder venezuelano e assessores de alto escalão teriam oferecido proteção política e militar a grupos narcoterroristas.

Na época dos primeiros indiciamentos, promotores afirmaram que o tráfico de drogas era utilizado como ferramenta estratégica contra os interesses dos Estados Unidos.

A procuradora-geral Pam Bondi declarou que Maduro enfrentará a Justiça americana. Com a chegada ao país, ele deve ser submetido ao sistema judicial para responder aos mandados de prisão pendentes. O governo dos EUA oferecia uma recompensa de 50 milhões de dólares por informações que levassem à sua captura, valor atualizado em agosto deste ano.

Enquanto o julgamento é preparado, a situação política na Venezuela segue incerta. O governo decretou emergência nacional, e a oposição monitora uma possível transição de poder.

Confira os detalhes da ação militar

Relatos de testemunhas e equipes jornalísticas indicaram mais cedo explosões, colunas de fumaça e aeronaves sobrevoando Caracas por cerca de 90 minutos. Moradores de cidades costeiras disseram que o céu ficou vermelho e que o solo tremeu durante as explosões.

Houve interrupções no fornecimento de energia elétrica em diferentes regiões da capital após o início dos bombardeios.

Em paralelo, a FAA proibiu aeronaves americanas de operarem no espaço aéreo da Venezuela, citando riscos de segurança devido à atividade militar.

Donald Trump classificou a ação como uma "operação brilhante" e anunciou uma coletiva de imprensa na Flórida para detalhar a ofensiva.

Reações internacionais e emergência nacional

O governo da Venezuela reagiu decretando emergência nacional e mobilizando planos de defesa. A vice-presidente, Delcy Rodriguez, afirmou inicialmente que o paradeiro de Maduro era desconhecido pela gestão local após a incursão das forças especiais.

O ministro da Defesa, Vladimir Padrino, declarou que o país resistirá à presença de tropas estrangeiras e denunciou ataques a áreas civis. A intervenção dividiu a comunidade internacional:

  • Aliados: Rússia e Cuba condenaram a captura, classificando-a como um "ato de agressão armada" e "ataque criminoso".
  • Apoio: O presidente da Argentina, Javier Milei, celebrou o ocorrido com a frase: "A liberdade avança".
  • Brasil: O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou uma reunião de emergência no Itamaraty para analisar o impacto regional da operação e o fechamento da fronteira pela Venezuela.

A União Europeia e outros países vizinhos, como o Chile e a Colômbia, manifestaram preocupação e pediram moderação, defendendo uma saída pacífica e o respeito ao direito internacional.

[Com informações da Reuters; edição de Susan Fenton]