Rússia planeja ‘maior guerra na Europa desde 1945’, diz Boris Johnson

Para o primeiro-ministro britânico, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, está “errando gravemente o cálculo”; Johnson falou à BBC neste domingo

Primeiro-ministro britânico, Boris Johnson
Primeiro-ministro britânico, Boris Johnson 14/02/2022Jeff J Mitchell/Pool via REUTERS

Manveena SuriLindsay Isaacda CNN*

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A Rússia está planejando “a maior guerra na Europa desde 1945”, disse o primeiro-ministro britânico Boris Johnson em entrevista à BBC neste domingo (20).

“Tenho medo de dizer que o plano que estamos vendo é para algo que pode ser realmente a maior guerra na Europa desde 1945”, disse ele.

Ele acrescentou que “as pessoas precisam entender que o enorme custo na vida humana que isso pode acarretar não apenas para os ucranianos, mas também para os russos e para os jovens russos”.

Sobre as sanções que seriam aplicadas caso a invasão russa aconteça, Johnson disse que o objetivo é impactar não apenas “os associados de Vladimir Putin, mas também todas as empresas, organizações de importância estratégica para a Rússia”.

Neste sábado, no Conferência de Segurança de Munique, na Alemanha, a vice-presidente dos Estados Unidos, Kamala Harris, afirmou que o país aplicaria “sanções sem precedentes” a bancos e indústrias da Rússia em caso de invasão.

“Vamos impedir que as empresas russas levantem dinheiro nos mercados do Reino Unido e, mesmo com nossos amigos americanos, vamos impedi-los de negociar libras e dólares que serão muito difíceis”, disse Boris Johnson.

Johnson também falou no evento em Munique neste sábado. Ele disse que ao se preparar para invadir a Ucrânia, o presidente russo, Vladimir Putin, está “errando gravemente o cálculo”, acrescentando que Moscou não teria “absolutamente nada a ganhar com esse empreendimento catastrófico e tudo a perder”.

Johnson instou Moscou a diminuir as tensões antes que seja tarde demais.

“Temo que uma guerra relâmpago seja seguida por um longo e hediondo período de represálias, vingança e insurgência, e os pais russos lamentariam a perda de jovens soldados russos, que à sua maneira são tão inocentes quanto os ucranianos que agora se preparam para ataque”, disse.

“Não sabemos totalmente o que o presidente Putin pretende”, disse o primeiro-ministro britânico, acrescentando que “os presságios são sombrios e é por isso que devemos permanecer fortes juntos”.

As declarações de Johnson ocorrem um dia depois que o secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, disse que a Rússia estava “se movendo para as posições certas para realizar um ataque”.

Ecoando a afirmação do presidente dos EUA, Joe Biden, de que Putin havia decidido invadir, Austin acrescentou que os EUA buscariam uma solução diplomática “até o último minuto, até que não seja possível”.

No entanto, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, rebateu as alegações dos líderes ocidentais de que uma invasão russa é iminente.

Quando perguntado sobre o uso agressivo da inteligência dos EUA para dissuadir Putin de invadir a Ucrânia, Zelensky disse que estava “agradecido pelo trabalho que nossa inteligência tem feito. Mas a inteligência em que confio é minha inteligência.”

“Confio na inteligência ucraniana que (…) entende o que está acontecendo ao longo de nossas fronteiras, que tem diferentes fontes de inteligência e entende diferentes riscos com base em dados interceptados (…) essa informação deve ser usada”, disse Zelensky à âncora internacional da CNN, Christiane Amanpour.

“Nós não estamos realmente vivendo na ilusão. Nós entendemos o que pode acontecer amanhã (…) apenas nos colocarmos em caixões e esperar que soldados estrangeiros cheguem não é algo que estamos preparados para fazer”, continou Zelensky.

Zelensky então pediu aos parceiros internacionais que apoiassem a Ucrânia investindo no país. “Fortaleçam nossas armas (…) nossa economia. Invistam em nosso país. Tragam seu negócio. Não estamos em pânico, queremos viver nossas vidas”, acrescentou.

*Ross Levitt, Karen Smith, Maegan Vazquez, Kevin Liptak, Betsy Klein, Sam Fossum, Emmet Lyons e Lauren Said-Moorhouse, da CNN, contribuíram com esta reportagem.

Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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