Rússia: "Vejo pouco espaço para diplomacia tradicional", diz cientista político
Conversas secretas entre governos - principalmente EUA e Rússia - podem minimizar as tensões com a Ucrânia
A crise entre a Rússia e a Ucrânia - que vem mobilizando diversas potências mundiais em prol da pacificação das fronteiras - tem pouco espaço para a diplomacia tradicional; conforme opinou à CNN, nesta segunda-feira (14), o cientista político e professor da FGV Guilherme Casarões.
Para o especialista, a tensão entre os países é um "teste para a diplomacia mundial", considerando que estamos diante de um conflito que pode "eclodir a qualquer momento".
"Vejo muito pouco espaço pra diplomacia tradicional. O que a gente pode assistir são as conversas de bastidores, conversas secretas, as que não chegam a público, mas são maneiras que governos - principalmente dos EUA e Rússia - estão usando para minimizar as tensões na fronteira com a Ucrânia", disse o cientista político.
Nesta segunda-feira (14), o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que o presidente russo, Vladimir Putin, está “disposto a negociar”, acrescentando que a crise da Ucrânia era apenas uma parte das maiores preocupações de segurança da Rússia.
"O argumento do Putin é de que a Rússia vem sendo ameaçada, traída, desde o fim da guerra fria, com sucessivas expansões da aliança atlântica. E os russos entendem esse momento como o momento em que, se eles não ameaçam com o conflito, a Otan vai dar seu passo derradeiro - para dar uma espécie de xeque - na possibilidade de a Rússia se projetar geopoliticamente sobre a Europa", afirmou Casarões.
No início do dia, o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergey Lavrov, disse a Putin que via uma “oportunidade” de diálogo diplomático com o Ocidente sobre as preocupações de segurança da Rússia, dizendo que recomendava que tais esforços continuassem.


