“Saída de Maduro era necessária”, diz presidente do Paraguai à CNN

Santiago Peña afirma que incursão dos Estados Unidos no país latino não era “o melhor”, mas pontua que não via outra alternativa

Danilo Moliterno, da CNN Brasil, em Assunção, no Paraguai
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O presidente do Paraguai, Santiago Peña, afirmou em entrevista exclusiva à CNN Brasil que a saída do ditador Nicolás Maduro do comando da Venezuela era “necessária”. O mandatário recebeu a reportagem na residência presidencial, em Assunção.

Peña afirmou que a incursão dos Estados Unidos no país latino não era “o melhor”, mas pontuou que não via outra alternativa. Na madrugada de 3 de janeiro, forças americanas realizaram uma operação em que capturaram, em Caracas, Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores.

“A saída de Nicolás Maduro era necessária. Quando comecei meu mandato tomei a decisão de colaborar com o Acordo de Barbados, um reforço de muitos países para que a Venezuela tivesse uma eleição transparente, aberta. Isso não aconteceu", comentou.

"Em 2024, Maduro não reconheceu a vitória de Edmundo González. E isso dificultou ainda mais o relacionamento da Venezuela com todos os países da região”, adicionou o presidente.

O mandatário destacou que o Paraguai — por sua experiência com a ditadura de Alfredo Stroessner (1954–1989) — acredita que “um ditador não sai do poder apenas porque há pessoas nas ruas”.

Para Peña, contudo, não deve ser Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, a definir o novo governante do país, mas o “povo venezuelano”.

“Agora, vamos ficar parados na discussão sobre se foi correto ou não a incursão ou vamos trabalhar para restituir a democracia na Venezuela? O Paraguai quer trabalhar para restituir. É necessário liberar os presos políticos e deixar os venezuelanos retornarem ao país”, pontuou à CNN Brasil.

“E precisa haver um plano crível de Delcy Rodríguez de quando vai acontecer a eleição livre, participativa, para os venezuelanos escolherem o governante. Não é Peña ou Trump que vai decidir, mas o povo da Venezuela”, completou.