Saímos do porto horas antes da explosão, diz almirante brasileiro no Líbano

Contra-Almirante Sergio Renato Berna Salgueirinho diz também que o fechamento do porto de Beirute pode afetar a distribuição de energia no país

Da CNN, em São Paulo

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O brasileiro Sergio Renato Berna Salgueirinho, Contra-Almirante da Marinha e comandante da força-tarefa da ONU no Líbano (UNIFIL), estava em Beirute no momento da explosão que matou dezenas na manhã desta terça-feira (4).

Berna contou à CNN que durante as patrulhas que fez na costa da capital libanesa nos dias anteriores a catástrofe não encontrou nada de anormal na região e diz que, horas antes das explosões, desatracou do porto onde ocorreu o acidente.

“Nos últimos dias, não foi observado nada fora do normal na costa de Beirute durante as patrulhas de rotina. O navio realiza, ao longo de um mês, uma média de 20 dias no mar. Hoje iniciamos o décimo quinto dia de patrulha,” disse Berna.

“A explosão só não nos atingiu porque estávamos navegando. Costumamos ficar atracados no porto de Beirute”, contou, lembrando que viu uma coluna de fumaça de longe, mas que não pôde retornar ao porto para ajudar.

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Local estratégico

Berna avaliou os impactos estratégicos de um eventual fechamento do porto de Beirute para o país. O Contra-Almirante disse que o local é responsável por 80% do tráfego marítimo local e que, provavelmente, o fluxo de mercadorias terá que ser redirecionado para outros portos, como o de Trípoli, que corresponde a 15% do transporte marítimo no país.

Outro ponto destacado pelo militar é o fato do Líbano não produzir combustíveis, vitais para a alimentação das usinas termelétricas do país. Por causa disso, ele prevê que o fechamento do porto de Beirute pode afetar o abastecimento de energia do país.

(Edição: Sinara Peixoto)

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