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    Sanções à Rússia podem criar novo caminho diplomático para crise, diz professor

    Soluções encontradas após anexação da Crimeia não funcionam mais, mas interdependência energética deve levar os lados ao diálogo, avalia Guilherme Casarões

    Elis FrancoGiovanna Galvanida CNN

    em São Paulo

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    Países ocidentais vêm anunciando novas sanções contra a Rússia após o reconhecimento, por parte do país comandado por Vladimir Putin, a regiões separatistas no leste ucraniano.

    Essa movimentação, apesar de restritiva para ativos e empresas russas, pode ser o começo de uma nova rodada diplomática sobre a tensão na Ucrânia, explicou Guilherme Casarões, cientista político e professor de Relações Internacionais da FGV-SP, à CNN nesta quarta-feira (23).

    Isso porque, em 2014, quando a península da Crimeia foi anexada pelos russos, as sanções impostas naquela época levaram o país novamente à mesa de negociações — resultando no Acordo de Minsk, que determinou o cessar-fogo na região.

    Para Casarões, essas soluções de 2014 não funcionam mais, e novos acordos deverão ser construídos no diálogo com o Ocidente.

    “As sanções não vão conseguir parar qualquer desejo russo de adentrar no território ucraniano ou de reconhecer províncias separatistas, mas pode ser caminho para que a diplomacia volte a ser linguagem entre Europa e Rússia”, afirmou.

    Segundo o professor, as negociações podem “atender mais demandas russas principalmente na questão da segurança”, já que Putin resgatou compromissos feitos ao fim da União Soviética de que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) não expandiria sua influência e força militar para o Leste Europeu — o que não foi cumprido ao longo dos anos.

    Além disso, Guilherme Casarões destacou que Putin “não é um líder inconsequente” em suas ações:

    “Putin vem conseguindo manter seu controle sobre a Rússia há 2 décadas. Ele construiu um poder gigantesco e quase hegemônico. Temos que olhar para o Putin como um sujeito estratégico e inteligente que não vai fazer nenhum tipo de ação que possa destruir a economia russa no curto prazo”, avaliou.

    Entre os pontos sensíveis, está a questão energética e a quantidade significativa de gás natural que a Rússia exporta para a Europa. O professor afirma que o problema já foi “antecipado” pela Alemanha, que deixou de reconhecer o gasoduto Nord Stream 2 neste momento a fim de avançar o quanto antes com as negociações.

    “A relação com a Europa é mais econômica, sobretudo porque ambos construíram uma interdependência na questão energética”, disse. “A Europa sabe que não dá pra enfrentar a Rússia pela via militar. O que a Alemanha está tentando fazer é se antecipar e pressionar a Rússia no que é mais sensível, que é o gás”.

    “Os russos vão afirmar esse lado de sua provisão energética, mas sabemos que, no longo prazo, quem se prejudica com isso são os próprios russos, que têm na Europa um mercado consumidor de energia”, afirmou Casarões.

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