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    Segurança na maior usina nuclear da Europa está piorando, diz Ucrânia

    Central é controlada pela Rússia; autoridades alertam para falta de funcionários e estresse psicológico de vários tipos

    Militar russo faz guarda em posto de controle perto de usina nuclear de Zaporizhzhia, na Ucrânia
    Militar russo faz guarda em posto de controle perto de usina nuclear de Zaporizhzhia, na Ucrânia Alexander Ermochenko/Reuters (15.jun.23)

    François Murphyda Reuters

    A segurança na maior usina nuclear da Europa, a usina de Zaporizhzhia, na Ucrânia, que está atualmente sob controle da Rússia, está piorando diariamente, disse o ministro da Energia ucraniano nesta sexta-feira (8).

    Ele prometeu continuar pressionando a Rússia no órgão de vigilância nuclear da ONU para que suas tropas se retirem do local.

    O Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica, composto por 35 países, aprovou uma resolução na noite de quinta-feira (7) condenando a ocupação pela Rússia da maior central nuclear da Europa, expressando “grave preocupação” com a falta de pessoal e manutenção dois anos após a sua captura.

    “A situação geral está caminhando para [um] acidente nuclear e é muito importante parar imediatamente esta presença [russa]”, advertiu o ministro da Energia ucraniano, German Galushchenko, em entrevista coletiva.

    “O número de problemas tem apenas aumentado a cada dia. E em mais um mês, teríamos outro problema. Mais um mês, teremos alguns problemas adicionais”, alertou, acrescentando que a Ucrânia continuará pressionando para mais resoluções.

    A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que tem uma pequena presença na fábrica, afirma que a situação em Zaporizhzhia continua precária.

    A central perdeu toda a energia externa oito vezes nos últimos 18 meses, a forçando a depender de geradores a diesel para arrefecer o combustível nos seus reatores e evitar um colapso potencialmente catastrófico.

    A Rússia e a Ucrânia, em guerra há mais de dois anos, culpam um ao outro mutuamente pelos bombardeamentos que derrubaram linhas de energia na área.

    Os funcionários ucranianos que anteriormente trabalharam para a empresa estatal ucraniana de geração de energia Energoatom continuam operando a central juntamente com os recém-chegados russos, embora alguns dos ucranianos tenham tido o acesso negado desde fevereiro por se recusarem a assinar contratos russos.

    “O pessoal que trabalha na usina de Zaporizhzhia agora consiste exclusivamente em ex-funcionários da Energoatom que adotaram a cidadania russa e assinaram contratos de trabalho com a entidade operacional russa, e funcionários que foram enviados da Federação Russa para a planta”, destacou um relatório confidencial da AIEA enviado a Estados-membros na semana passada que a Reuters teve acesso.

    “A equipe da usina continuava sob forte estresse psicológico de vários tipos”, acrescentou.

    Antes da guerra, havia cerca de 11.500 funcionários na fábrica, segundo o documento. Agora, o pessoal da AIEA na fábrica foi informado de que o número é de cerca de 4.500, enquanto o número de funcionários presentes diariamente foi de cerca de 2.000 no último trimestre.

    A Rússia afirma que a central tem agentes o suficiente para operar os seis reatores, que estão atualmente desligados.

    O chefe da AIEA, Rafael Grossi, estimou em cerca de 100 o número de resistentes que se recusam a assinar contratos russos. Galushchenko ressaltou que isso era “outra mentira russa” e que o número real era 380.

    “O problema não está nem na quantidade de pessoas. O problema é que essas pessoas são funcionários de alto nível. Isso não é… pessoal médio que você poderia facilmente substituir”, ponderou.

    Grossi discutiu sobre Zaporizhzhia em uma reunião com o presidente russo, Vladimir Putin, na quarta-feira (6), que foi “profissional e franca”, informou a AIEA em comunicado.