Sem alternância de poder, Maduro caminha para regime autoritário, diz professora
Professora de Relações Internacionais da Unifesp destaca atuação dos militares em postos de controle e contaminação das instituições democráticas
Em entrevista à CNN, a professora Regiane Bressan, especialista em Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), afirmou que o governo de Nicolás Maduro na Venezuela está se encaminhando para um regime cada vez mais autoritário.
Bressan destacou a falta de alternância de poder como um dos principais indicadores dessa tendência.
A especialista apontou que a mudança na situação política do país dependeria principalmente de ações internas.
No entanto, ela ressaltou que o governo de Maduro conta com o apoio das Forças Armadas, que já ocupam postos estratégicos na administração venezuelana.
Controle militar e institucional
Além do controle sobre setores-chave como a PDVSA (empresa estatal de petróleo), Bressan alertou para a "contaminação" das instituições democráticas do país.
"Tanto o Conselho Eleitoral quanto o Tribunal de Justiça já foram afetados, o que torna difícil cogitar uma mudança", explicou.
A professora também expressou ceticismo quanto à possibilidade do opositor Edmundo Gonzalez, considerado por parte da comunidade internacional o verdadeiro vencedor das eleições de julho, assumir a Presidência em janeiro, como afirma a líder Maria Corina Machado.
Perspectivas para 2024
"A tendência é Nicolás Maduro se manter no poder para o ano que vem", prevê Bressan.
Diante desse cenário, a comunidade internacional parece estar se preparando para negociar com o atual regime, buscando ao menos um abrandamento da perseguição à oposição e melhorias na economia do país.
A especialista ressaltou que quem mais sofre com a situação atual é a população venezuelana, enfrentando pobreza, miséria, aumento da criminalidade e outros problemas decorrentes de um governo autoritário.


