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    Sem polícia em Gaza, grupos de vigilantes vão às ruas

    Forças de segurança do território eram controladas pelo Hamas, mas saíram de cena quando ataques de Israel começaram

    Grupo de vigilantes em rua de Gaza04/03/2024REUTERS/Mohammed Salem
    Grupo de vigilantes em rua de Gaza04/03/2024REUTERS/Mohammed Salem 04/03/2024 REUTERS/Mohammed Salem

    Mohammad SalemNidal al-Mughrabida Reuters

    Rafah, Faixa de Gaza, Cairo

    Cabeças se viraram quando homens mascarados e armados com porretes desceram uma rua de Rafah. Eram integrantes de um grupo de segurança pública formado por vigilantes, criado por facções armadas de Gaza após a força policial civil entrar na clandestinidade dizendo que estava sendo visada pelos ataques israelenses.

    Um grupo de nove homens, com bandanas dizendo “Comitês de Proteção Popular” e máscaras de esqui ou capuzes, passaram por um mercado nesta semana, após terem aparecido pela primeira vez em Rafah no fim do mês passado.

    “Queremos controlar as ruas para garantir que haja segurança no país… Estamos presentes na rua para controlar as ruas de todas as fontes de perigo que existem nas ruas palestinas atualmente”, disse.

    O grupo foi formado pelo Ministério do Interior, administrado pelo Hamas, junto com outras facções políticas com presença nas ruas de Gaza, e recebeu a tarefa de assegurar a ordem pública e impedir que aproveitadores do mercado aumentem os preços, disse.

    A Reuters não conseguiu encontrar um porta-voz do Ministério do Interior de Gaza, que parou de operar normalmente desde o começo da guerra. Porta-vozes de Hamas, Jihad Islâmica e outra grande facção não responderam aos pedidos por comentários em um primeiro momento.

    Quando os vigilantes apareceram pela primeira vez nos mercados, alguns portando fuzis, dezenas de jovens se reuniram para assobiar, bater palmas e gritar “Deus é Grande” em apoio, disseram testemunhas.

    Mas, embora alguns moradores de Rafah pareçam receptivos aos Comitês de Proteção Popular para combater a ilegalidade e quem se aproveita da guerra para lucrar, outros pareceram preocupados com a ideia de homens armados e mascarados assumindo o policiamento.

    “Talvez se tivéssemos policiais de verdade, sem máscaras, pessoas que são conhecidas do povo, seria mais organizado e mais confortável”, disse um pai de quatro crianças à Reuters em uma ligação telefônica em Rafah.

    Lucrando

    O Hamas, cujo ataque letal contra Israel em 7 de outubro desencadeou o conflito, governa Gaza desde 2006, o que inclui o controle geral da força policial civil.

    Autoridades da agência da ONU para refugiados palestinos, UNRWA, disseram que policiais municipais uniformizados de Gaza se recusaram a fazer a escolta de comboios de auxílio humanitário após vários policiais serem mortos em ataques israelenses.

    Os militares de Israel não responderam, em um primeiro momento, a pedido para comentar se estavam atacando a polícia de Gaza.

    O conflito levou a uma intensa escassez de todos os produtos em Gaza. Israel permite apenas a entrada de auxílio humanitário ao enclave, que chega em um ritmo muito mais lento do que alimentos e medicamentos faziam antes do conflito.

    Os preços dispararam, irritando a população. Quase toda ela perdeu sua casa e agora vive, sem recursos, em tendas e outros abrigos temporários, com poucas posses além das roupas que vestem.