África do Sul pede ao Tribunal da ONU mais ações contra Israel e cita urgência

País africano abordou fome na Faixa de Gaza e pontuou que "o povo de Gaza não pode esperar"

Bhargav Acharya, da Reuters
Palestinos deslocados são fotografados ao longo de uma estrada perto de sua tenda improvisada em Rafah, Gaza, em 4 de fevereiro  • Abed Zagout/Anadolu/Getty Images
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A África do Sul pediu à Corte Internacional de Justiça (CIJ) que ordene mais medidas de emergência contra Israel, afirmando que o país viola as medidas que estão em vigor, disse o tribunal superior da ONU nesta quarta-feira (6).

No seu requerimento, a África do Sul advertiu que os palestinos em Gaza enfrentam a fome e pediu ao tribunal que ordene que todas as partes cessem as hostilidades e libertem todos os reféns e detidos.

Em comunicado, a Presidência sul-africana alertou que o povo de Gaza não pode esperar.

"A ameaça de fome total agora se materializou. O tribunal precisa agir agora para parar a tragédia iminente, assegurando imediata e eficazmente que os direitos que descobriu estarem ameaçados pela Convenção do Genocídio sejam protegidos", acrescentou.

A África do Sul também pediu ao tribunal que ordene que Israel tome "medidas imediatas e eficazes para permitir a prestação de serviços básicos urgentemente necessários e assistência humanitária para enfrentar a fome e a inanição" em Gaza.

Acrescentou que a CIJ deveria tomar estas medidas sem agendar novas audiências devido à “extrema urgência da situação”.

Em janeiro, o Tribunal da ONU ordenou a Israel que se abstivesse de quaisquer atos que pudessem ferir a Convenção do Genocídio e que garantisse que as suas tropas não cometessem atos genocidas contra os palestinos, depois de a África do Sul ter acusado o país de genocídio liderado pelo Estado em Gaza.

Israel e os seus aliados ocidentais classificaram a acusação como infundada. Uma decisão final no caso na CIJ em Haia poderá levar anos.

A guerra na Faixa de Gaza foi desencadeada por um ataque liderado pelo Hamas, em 7 de outubro, às comunidades do sul de Israel, que, segundo Israel, deixou 1.200 mortos e 253 feitos reféns.

Nos cinco meses desde então, as autoridades palestinas dizem que Israel matou mais de 30 mil pessoas na Faixa de Gaza, deslocou a maior parte dos seus 2,3 milhões de habitantes, causou fome e doenças generalizadas e devastou grande parte do território.