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    Senadores dos EUA enviam avião com 750 mil doses de vacinas para Taiwan

    Pequim, no entanto, viu a doação dos EUA como 'grande provocação' e 'séria ameaça' já que o avião militar norte-americano pousou no aeroporto de Taipei

    Nectar Gan e Ben Westcott, CNN

    Taiwan está recebendo ajuda dos Estados Unidos para combater o surto de coronavírus. Mas para Pequim, a oferta é uma grande provocação que corre o risco de complicar as relações entre os EUA e a China.

    Uma delegação de senadores norte-americanos visitou Taiwan na manhã deste domingo (6), no horário local, para anunciar a doação de 750 mil doses da vacina contra a Covid-19. 

    O presidente taiwanês, Tsai Ing-wen, chamou as vacinas de “chuva oportuna” para a ilha, que vacinou apenas 3% de sua população e, no último sábado (5), registrou o maior número de mortes diárias causadas pela Covid-19 – 37 óbitos.

    “Foi fundamental para os Estados Unidos que Taiwan fosse incluído no primeiro grupo a receber vacinas porque reconhecemos sua necessidade urgente e valorizamos essa parceria”, disse o senador Tammy Duckworth durante a visita de três horas.

    A doação provavelmente atrairá a ira de Pequim, que reprimiu a aparente recusa de Taipei em aceitar sua oferta de vacinas chinesas contra o coronavírus. Taipei, por outro lado, acusou Pequim de bloquear seus esforços para comprar vacinas internacionalmente, em vez de tentar ajudar.

    Ao proferir seu discurso de boas-vindas aos visitantes dos EUA no domingo, o ministro das Relações Exteriores de Taiwan, Joseph Wu, novamente criticou Pequim. 

    “Enquanto estamos fazendo o nosso melhor para importar vacinas, devemos superar os obstáculos para garantir que esses medicamentos que salvam vidas sejam entregues sem problemas em Pequim. Taiwan não é estranho a esse tipo de obstrução”, disse ele.

    Mas o maior problema em Pequim talvez não sejam os comentários de Wu ou o acordo de doação de vacinas em si, mas o avião militar dos EUA estacionado em Taiwan.

    A delegação americana chegou ao Aeroporto Songshan de Taiwan em um cargueiro C-17 Globemaster III da Força Aérea dos Estados Unidos – uma aeronave estratégica para os militares dos Estados Unidos.

    Anteriormente, autoridades e políticos americanos haviam voado para Taiwan no C-40, uma versão militar do avião comercial Boeing 737, de acordo com a Agência Central de Notícias de Taiwan.

    A presença de um avião de transporte militar dos EUA capaz de transportar tropas e carga – incluindo artilharia, tanques de batalha e helicópteros – em Taiwan deve provocar uma resposta contundente de Pequim.

    O tablóide nacionalista estatal Global Times já atacou a escolha incomum da aeronave. “Eles querem que o desembarque do C-17 na ilha seja um fato que deve ser aceito pelo continente, abrindo caminho para que os EUA e Taiwan intensifiquem ainda mais seu conluio”, disse o jornal neste domingo.

    Mídia chinesa classifica chegada do avião do como ‘provocação séria’

    Em uma reportagem separada, o jornal citou Lv Xiang, um especialista em relações internacionais de um think tank apoiado pelo governo, dizendo que a visita foi “a provocação mais séria” dos EUA desde que Biden assumiu o cargo, e que o continente “não se sentará preguiçosamente.”

    Anteriormente, a mídia estatal chinesa ameaçou com a guerra a presença de aeronaves militares dos EUA em Taiwan. Em agosto passado, em meio a relatos de que um avião espião da Marinha dos EUA poderia ter decolado de Taiwan, o Global Times disse que Taipei e Washington estavam “brincando com fogo”.

    “Se a ilha fez arranjos para decolagens e pousos de jatos militares dos EUA, está cruzando a linha vermelha do continente chinês para salvaguardar a unidade nacional. Isso será muito sério”, disse o jornal em 31 de agosto.

    “Se o continente tiver evidências conclusivas, pode destruir o aeroporto relevante na ilha e os aviões militares dos EUA que pousarem lá – uma guerra no Estreito de Taiwan começará assim.” Em seu editorial deste domingo, no entanto, o Global Times parece ter diminuído o tom de seu discurso de guerra, pedindo prudência na resposta de Pequim. 

    “Temos liberdade real para tomar as medidas que acreditamos serem necessárias. O que precisamos considerar é que os efeitos devem ser positivos e os benefícios políticos devem superar os custos em muito”, disse.

    (Esse texto é uma tradução. Para ler o original, em inglês, clique aqui)

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