Sistema hídrico do Líbano está à beira de um colapso total, diz ONU

O bombeamento de água deve cessar gradualmente em todo o país nas próximas quatro a seis semanas

Líbano sofre "desastre financeiro" e escassez de água e combustível; motoristas fazem fila para encher os tanques de seus veículos em Beirute
Líbano sofre "desastre financeiro" e escassez de água e combustível; motoristas fazem fila para encher os tanques de seus veículos em Beirute Foto: Marwan Tahtah/Getty Images - 2 jul. 2021

Ghazi Balkiz, Ben Wedeman e Kareem Khadder, da CNN, em Beirute

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O sistema de abastecimento de água do Líbano está à beira de um colapso total, de acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o que marcaria o último evento do caos no país oriental do Mediterrâneo.

Mais de 71% da população do país – cerca de 4 milhões de pessoas, incluindo 1 milhão de refugiados – correm o risco imediato de perder o acesso à água potável, disse a UNICEF na sexta-feira (23).

O bombeamento de água deve cessar gradualmente em todo o país nas próximas quatro a seis semanas, devido à escassez de financiamento, combustível e outros suprimentos, como cloro e peças sobressalentes, de acordo com a agência da Organização das Nações Unidas (ONU). A crescente escassez de combustível nas últimas semanas causou a paralização grande parte da economia do Líbano.

“A perda de acesso ao abastecimento público de água pode forçar as famílias a tomarem decisões extremamente difíceis em relação às suas necessidades básicas de água, saneamento e higiene”, disse Yukie Mokuo, representante da UNICEF no Líbano.

O Líbano está atolado em uma crise financeira e política que o Banco Mundial descreveu como um dos três piores desastres econômicos desde meados do século XIX. Seu PIB per capita diminuiu cerca de 40%, e mais de 50% da população provavelmente caiu abaixo da linha da pobreza.

“Essa contração brutal e rápida geralmente está associada a conflitos ou guerras”, disse o Banco Mundial em seu relatório de junho de 2021. No outono de 2020, o Banco Mundial nomeou a crise financeira do Líbano como “depressão deliberada” – a primeira vez que o grupo usou o termo para descrever uma crise, e um golpe contra uma elite governante que pouco fez para conter a queda livre financeira.

O Líbano está sem governo há quase um ano. Na semana passada, o ex-primeiro ministro Saad Hariri abandonou sua oferta para chefiar uma administração de resgate, quase nove meses depois que ele foi encarregado de formar um novo gabinete.

A atitude levou o Líbano a uma incerteza mais profunda, fazendo com que sua moeda despencasse ainda mais em um declínio acentuado de 24 horas.

A União Europeia ameaçou impor sanções à liderança sectária do país por falhar em resolver seu impasse político, que colocou Hariri e seu arquirrival Presidente Michel Aoun em desavenças. No início deste mês, o chefe de política externa da UE, Josep Borrell, disse a repórteres que planeja criar uma estrutura legal para as penalidades legais até o final de julho.

O setor de saúde do Líbano, recuperando-se das consequências de uma segunda onda mortal de Covid, também sofreu um golpe devido à rápida deterioração da infraestrutura. Hospitais têm alertado repetidamente sobre cortes de energia iminentes, enquanto enfrentam a escassez contínua de remédios, leite em pó para bebês e produtos básicos nos últimos meses.

A moeda do país está em queda livre desde que um levante popular contra a elite governante do Líbano tomou conta do país em outubro de 2019 e perdeu mais de 95% de seu valor em menos de dois anos.

Em menos de duas semanas, o Líbano assistirá ao aniversário de um ano da grande explosão no porto de Beirute – em grande parte atribuída à negligência do governo –, que devastou a capital matando mais de 200 pessoas e ferindo milhares.

(Texto traduzido. Leia o original em inglês.)

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