Suprimentos médicos para Ucrânia chegam quinta na Polônia, diz OMS

Órgão também falou de números de saúde mental por conta da pandemia de covid-19

Da Reuters, Genebra
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Um primeiro carregamento de ajuda médica para a Ucrânia chegará à Polônia na quinta-feira (3), informou a Organização Mundial da Saúde (OMS) em pronunciamento nesta quarta-feira (2).

Seis toneladas de suprimentos para atendimento a traumas e cirurgias de emergência serão entregues para atender às necessidades de mil pacientes. Outros suprimentos de saúde para atender às necessidades de 150 mil pessoas também serão entregues, disse o diretor da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em entrevista coletiva em Genebra na quarta. Ele também enfatizou a necessidade de um corredor humanitário para garantir que os suprimentos cheguem às pessoas mais necessitadas.

Segundo o Serviço de Emergência do Estado da Ucrânia, mais de 2.000 civis ucranianos foram mortos até esta quarta-feira (2) durante a invasão da Rússia. A Rússia prossegue com os ataques contra a Ucrânia nesta quarta-feira (2) – assista ao vivo a cobertura especial da CNN. Uma nova rodada de negociações entre os dois países foi confirmada para hoje, segundo um assessor do governo ucraniano.

Alerta para saúde mental

Tedros também fez um alerta para todos os países sobre intensificar os serviços e apoio de saúde mental por conta da covid-19. Segundo a OMS, no primeiro ano da pandemia a prevalência global de ansiedade e depressão aumentou 25%, de acordo com um resumo científico divulgado nesta quarta pela OMS. O resumo também destaca quem foi mais afetado e resume o efeito da pandemia na disponibilidade de serviços de saúde mental e como isso mudou durante a pandemia.

Preocupações com possíveis aumentos nas condições de saúde mental já levaram 90% dos países pesquisados ​​a incluir saúde mental e apoio psicossocial em seus planos de resposta à covid-19, mas preocupações permanecem.

“As informações que temos agora sobre o impacto do covid-19 na saúde mental do mundo são apenas a ponta do iceberg”, disse Tedros. “Este é um alerta para que todos os países prestem mais atenção à saúde mental e façam um trabalho melhor no apoio à saúde mental de suas populações”.

Fatores de estresse

Uma das principais explicações para o aumento é o estresse sem precedentes causado pelo isolamento social decorrente da pandemia. Ligados a isso estavam as restrições à capacidade das pessoas de trabalhar, buscar apoio de entes queridos e se envolver em suas comunidades.

Solidão, medo de infecção, sofrimento e morte para si mesmo e para entes queridos, luto após o luto e preocupações financeiras também foram citados como estressores que levam à ansiedade e à depressão. Entre os profissionais de saúde, a exaustão tem sido um importante gatilho para o pensamento suicida.

Jovens e mulheres: os mais atingidos

O resumo, que é informado por uma revisão abrangente das evidências existentes sobre o impacto do covid-19 na saúde mental e nos serviços de saúde mental, e inclui estimativas do último estudo Global Burden of Disease, mostra que a pandemia afetou a saúde mental de jovens e que correm um risco desproporcional de comportamentos suicidas e de automutilação. Também indica que as mulheres foram mais severamente impactadas do que os homens e que pessoas com condições de saúde física pré-existentes, como asma, câncer e doenças cardíacas, eram mais propensas a desenvolver sintomas de transtornos mentais.

Os dados sugerem que pessoas com transtornos mentais pré-existentes não parecem ser desproporcionalmente vulneráveis ​​à infecção pelo vírus. No entanto, quando essas pessoas são infectadas, elas são mais propensas a sofrer hospitalização, doenças graves e morte em comparação com pessoas sem transtornos mentais. Pessoas com transtornos mentais mais graves, como psicoses, e jovens com transtornos mentais, estão particularmente em risco.

Cuidados

Esse aumento na prevalência de problemas de saúde mental coincidiu com graves interrupções nos serviços de saúde mental, deixando enormes lacunas no atendimento daqueles que mais precisam. Durante grande parte da pandemia, os serviços para condições mentais, neurológicas e de uso de substâncias foram os mais interrompidos entre todos os serviços essenciais de saúde relatados pelos Estados Membros da OMS. Muitos países também relataram grandes interrupções nos serviços de saúde mental que salvam vidas, inclusive na prevenção do suicídio.

No final de 2021, a situação melhorou um pouco, mas hoje muitas pessoas continuam incapazes de obter os cuidados e o apoio de que precisam para condições de saúde mental pré-existentes e recém-desenvolvidas.

Incapaz de acessar o atendimento presencial, muitas pessoas buscaram suporte online, sinalizando a necessidade urgente de disponibilizar ferramentas digitais confiáveis ​​e eficazes e de fácil acesso. No entanto, desenvolver e implantar intervenções digitais continua sendo um grande desafio em países e ambientes com recursos limitados.