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    Talibã ganha apoio de parceiros para realizar conferência de ajuda da ONU

    Potências como Rússia e China apoiam reunião das Nações Unidas para salvar Afeganistão de colapso econômico e catástrofe humanitária

    Membros do Talibã participam de conferência sobre o Afeganistão em Moscou
    Membros do Talibã participam de conferência sobre o Afeganistão em Moscou Reuters

    Da Reuters

    Os novos governantes do Talibã ganharam o apoio de 10 potências regionais em conversas em Moscou nesta quarta-feira (20) para uma conferência de doadores das Nações Unidas, com o objetivo de ajudar o país a evitar o colapso econômico e uma catástrofe humanitária.

    Rússia, China, Paquistão, Índia, Irã e cinco ex-estados soviéticos da Ásia Central juntaram-se ao Talibã para pedir que a ONU convoque tal conferência o mais rápido possível para ajudar a reconstruir o país.

    Para o grupo extremista, a reunião deveria ocorrer “com o entendimento, é claro, de que o principal custo deve ser suportado pelas forças cujos contingentes militares estiveram presentes neste país nos últimos 20 anos”.

    Essa foi uma referência direta aos Estados Unidos e seus aliados, que invadiram o Afeganistão depois dos ataques de 11 de setembro de 2001 e cuja retirada abrupta abriu o caminho para o Talibã retomar o controle do país em agosto.

    Os Estados Unidos optaram por não comparecerem às negociações, citando razões técnicas, mas disseram que podem participar de rodadas futuras.

    A Rússia liderou os pedidos de ajuda internacional, consciente de que qualquer repercussão do conflito do Afeganistão pode ameaçar a estabilidade regional.

    “Ninguém está interessado na paralisia completa de um estado inteiro, que faz fronteira com a CEI (Comunidade de Estados Independentes)”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.

    O ressurgimento do Talibã despertou temores internacionais de um retorno ao governo islâmico linha-dura na década de 1990, quando hospedaram a Al Qaeda e cometeram violações flagrantes dos direitos humanos, incluindo apedrejamentos públicos e a marginalização das mulheres no trabalho e em escolas.

    Desde que voltou ao poder, o Talibã afirma que agiu o mais rápido possível para abrir seu governo e garantir os direitos das mulheres, e que não representa uma ameaça para nenhum outro país.

    “O Afeganistão nunca permitirá que seu solo seja usado como base para alguém ameaçar a segurança de outro país”, disse o ministro das Relações Exteriores, Amir Khan Muttaqi.

    Abdul Salam Hanafi, o vice-primeiro-ministro que liderou a delegação, disse: “Isolar o Afeganistão não interessa a ninguém”.

    Embora governos em todo o mundo, incluindo a Rússia, tenham se recusado a dar reconhecimento oficial ao governo do Talibã , a conferência reconheceu a “nova realidade” de sua ascensão ao poder.

    Buscando influência

    A iniciativa da Rússia em sediar as negociações é parte de um esforço para aumentar sua influência na região após a retirada dos EUA. Seu principal temor é o risco de instabilidade na Ásia Central e possíveis fluxos de migrantes e atividades militares islâmicas dirigidas do Afeganistão.

    As preocupações se intensificaram após uma série de ataques do Estado Islâmico-K contra mesquitas e outros alvos que mataram centenas de pessoas.

    A Rússia travou sua própria guerra desastrosa no Afeganistão na década de 1980 e tem laços militares e políticos estreitos com as ex-repúblicas soviéticas da Ásia Central que fazem fronteira com o país.

    Além de afirmar que nenhum grupo militante poderá operar a partir do Afeganistão, o Talibã disse que salvaguardará os direitos das mulheres e das minorias. Mas muitas mulheres e meninas foram impedidas de ir ao trabalho ou à escola, e o gabinete provisório inclui apenas homens.

    (Texto traduzido. Clique aqui para ler o original em inglês)