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    Talibã proíbe mulheres de frequentar universidades no Afeganistão

    Carta, confirmada por porta-voz do Ministério do Ensino Superior, instruiu universidades públicas e privadas a suspender acesso a estudantes do sexo feminino imediatamente, de acordo com uma decisão do governo

    Membro do Taliban conversa com estudantes do lado de fora de universidade em Cabul
    Membro do Taliban conversa com estudantes do lado de fora de universidade em Cabul 26/02/2022REUTERS/Stringer/File Photo

    Por Charlotte Greenfield e Mohammad Yunus Yawar, da Reuters

    O Ministério do Ensino Superior do Afeganistão, administrado pelo Talibã, suspendeu nesta terça-feira (20) o acesso às universidades por estudantes do sexo feminino até nova decisão, o que provocou condenação dos Estados Unidos, Reino Unido e da ONU.

    Uma carta, confirmada por um porta-voz do Ministério do Ensino Superior, instruiu as universidades públicas e privadas afegãs a suspender o acesso a estudantes do sexo feminino imediatamente, de acordo com uma decisão do governo.

    O anúncio do governo do Talibã, que não foi reconhecido internacionalmente, ocorreu no momento em que o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) se reunia em Nova York para discutir a situação do Afeganistão.

    Governos estrangeiros, incluindo os Estados Unidos, disseram que é necessária uma mudança nas políticas de educação das mulheres antes de considerar o reconhecimento formal do governo do Talibã, que também está sujeito a pesadas sanções.

    “O Talibã não pode esperar ser um membro legítimo da comunidade internacional até que respeite os direitos de todos os afegãos, especialmente os direitos humanos e a liberdade fundamental de mulheres e meninas”, disse o vice-embaixador dos EUA na ONU, Robert Wood, ao conselho, descrevendo a medida como “absolutamente indefensável.”

    A embaixadora do Reino Unido na ONU, Barbara Woodward, disse que a suspensão foi “outra restrição flagrante dos direitos das mulheres e uma profunda decepção para todas as alunas”.

    “É também mais um passo do Talibã para se afastar de um Afeganistão autossuficiente e próspero”, disse ela ao conselho.

    Em março, o Talibã recebeu críticas de muitos governos estrangeiros e de alguns afegãos por retroceder e abandonar os sinais de que todas as escolas secundárias para meninas seriam abertas.

    O porta-voz da ONU, Stephane Dujarric, disse que a medida na terça-feira foi “claramente outra promessa quebrada do Talibã”.