Tempestade inunda ruas e deixa dois mortos no sul da Itália

Autoridades alertam para novas tempestades nos próximos dias

Fabrizio Curcio, prefeito de Catânia, durante comunicado sobre as tempestades
Fabrizio Curcio, prefeito de Catânia, durante comunicado sobre as tempestades Prefeitura de Catânia

Rob PichetaMichael GuyBarbie Latza NadeauLivia Borgheseda CNN

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O sul da Itália se prepara para mais dois dias de chuva devastadora e enchentes depois de a tempestade conhecida como “medicane” ter inundado ruas e matado duas pessoas. O nome do evento é uma síntese de “Mediterrâneo” e “furacão” (Mediterranean e hurricane, em inglês).

O presidente da região da Sicília, Nello Musumeci, confirmou as mortes e disse que uma terceira pessoa estava desaparecida na noite de terça-feira (26), enquanto o prefeito da cidade de Catânia pediu aos moradores que fiquem em casa, se possível.

“Passamos por dois dias muito difíceis. Vivemos horas dramáticas”, disse o prefeito, Salvo Pogliese, em um vídeo postado em sua página no Facebook. Ele disse que o tempo estava “definitivamente melhor” nesta quarta-feira (27), mas alertou que a previsão para quinta (28) e sexta-feira (29) continua “particularmente preocupante”.

Alertas vermelhos foram emitidos para quarta e quinta-feira na ilha da Sicília e na região que contém a cidade de Catânia, que já foi atingida pelo mau tempo ao longo da semana.

A tempestade acontece ao mesmo tempo em que os líderes globais se preparam para uma reunião da cúpula do G20, em Roma, capital da Itália. As preocupações com o clima estão no topo da agenda do evento, que será imediatamente seguido pelo importante encontro da COP26, na Escócia.

O medicane despejou um ano de chuva na região de Linguaglossa no espaço de dois dias, de acordo com dados climatológicos.

A previsão é que a tempestade perdure sobre a área até o fim de semana. Escolas, lojas e escritórios e outros serviços não essenciais de Catânia devem permanecer fechados até sexta-feira.

Mais de 600 operações de resgate foram realizadas na cidade italiana desde o início da tempestade, disse o Ministério do Interior, na quarta-feira, em comunicado à imprensa.

“O evento não acabou. Agora há um momento de atenuação, mas nossos modelos meteorológicos nos dizem que estará de volta. Momentos complicadas nos aguardam nesta região. Esperamos uma piora significativa de quinta para sexta-feira”, disse o chefe da proteção civil, Fabrizio Curcio, em uma entrevista coletiva, em Catânia.

O governador regional Nello Mosumeci descreveu a situação como “muito crítica” e disse que as cenas vistas na região são “atrozes”.

“Estradas se transformaram em rios e campos viraram lagos”, disse a autoridade. “Bairros inteiros isolados e centenas de casas inundadas, danos incalculáveis ​​a prédios e plantações: o leste da Sicília está passando por um fenômeno que, infelizmente, será cada vez menos esporádico, com esses cenários trágicos se repetindo cada vez mais”, disse ele, na terça-feira, em sua página oficial no Facebook.

O medicane, que ocorre cerca de duas vezes por ano, entre setembro e dezembro, não ameaça as negociações do G20, em Roma, mas deve acrescentar mais urgência ao esforço dos países em se comprometer com as metas que procuram barrar a mudança climática.

A ciência mostra que as mudanças climáticas causadas pelo homem estão se transformando em eventos climáticos extremos, incluindo chuvas fortes, cada vez mais frequentes e intensas. A crise climática também está contribuindo para as oscilações entre secas e enchentes em muitos lugares, incluindo partes dos Estados Unidos, como a Califórnia, além do Oriente Médio e da África.

À medida que a atmosfera da Terra fica mais quente, ela pode reter mais umidade, razão pela qual o mundo está experimentando pancadas de chuva mais fortes do que a média histórica. Mas a crise climática também está criando períodos mais longos de seca, que deixa o solo tão seco que fica mais difícil absorver a água quando ela, finalmente, aparece. Essa combinação torna as inundações mais constantes ​​e destrutivas.

Sharon Braithwaite, Angela Dewan, Sarah Dean e Monica Garrett, da CNN, contribuíram com a reportagem

(Texto traduzido. Leia o original aqui.)

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