‘Tive apoio suficiente para reagir’, diz Maria Ressa sobre seu tempo na CNN

Ressa foi premiada com o Nobel da Paz nesta sexta; ela atuou como a principal repórter investigativa da CNN no Sudeste da Ásia durante quase 20 anos

Ben Westcottda CNN

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Um dia antes de receber o Prêmio Nobel da Paz, Maria Ressa falou à CNN de sua casa nas Filipinas sobre as eleições presidenciais de 2022 no país, que serão realizadas em maio do próximo ano.

As extensas reportagens da agência Rappler, comandada por Ressa, sobre o presidente Rodrigo Duterte tornaram o site – e seus jornalistas – alvos de seus apoiadores.

Antes de cofundar a Rappler, a jornalista e escritora filipino-americana passou quase duas décadas atuando como a principal repórter investigativa da CNN no sudeste da Ásia.

Duterte deve deixar o cargo após um único mandato de seis anos no poder. À CNN, Ressa afirmou que se recusa a ser reprimida ou parar de atuar como jornalista.

“Cubro este país desde 1986, nunca fui notícia, mas a única razão pela qual me tornei notícia é porque me recuso a ser reprimida e me recuso a parar de fazer meu trabalho da maneira que deveria”, disse Ressa.

“O Estado de Direito é um fator muito importante para mim. Eu acho que o Estado de Direito é fundamental para qualquer democracia. A falta do Estado de Direito é um salto para o fascismo porque quem está no poder decide quem vive e quem morre literalmente.”

Em 2020, Ressa foi condenada por “difamação cibernética”, em um caso que ela e grupos de liberdade de imprensa descreveram como um processo politicamente motivado pelo governo Duterte.

“Tenho muita sorte por causa da CNN. Tive uma rede de apoio suficiente para poder reagir. Não estou lutando contra o governo Duterte, estou lutando pelos meus direitos. Ainda sou uma idealista.”

‘Estou sem palavras’, disse Ressa ao receber ligação do Comitê Norueguês do Nobel

O Comitê Norueguês do Nobel ligou para a jornalista – antes do anúncio formal – para informá-la de que ela seria uma das ganhadoras do Prêmio Nobel da Paz em 2021.

Ao ouvir a notícia, Ressa apenas disse: “Meu Deus! Estou em choque”. Quando questionada se ela teria alguma reação imediata para compartilhar, ela respondeu: “Estou sem palavras! Muito obrigada.”

No momento da ligação, Ressa foi informada de que dividiria o prêmio com outro candidato, mas não foi revelado quem seria.

O Nobel da Paz de Ressa foi dividido com o jornalista russo Dmitry Muratov, que dirige o jornal russo independente Novaya Gazeta, e também tem atuado em defesa da liberdade de expressão e de imprensa.

Organizações de liberdade de imprensa repercutem Nobel da Paz a jornalistas

Organizações internacionais de liberdade de imprensa repercutiram o Nobel da Paz dividido entre os dois jornalistas. Ressa e Muratov receberam felicitações das principais organizações de imprensa no mundo.

A Repórteres Sem Fronteiras (RSF) afirmou que “o jornalismo está sob ameaça” e o Nobel da Paz deste ano “lança luz sobre a emergência para defender aqueles que trabalham para nos fornecer informações independentes e confiáveis”.

A organização anticorrupção Transparency International disse que o prêmio desta sexta reconhece “o papel crucial dos jornalistas investigativos na melhoria de nossas sociedades”.

O Comitê para a Proteção de Jornalistas e a Federação Internacional de Jornalistas (IFJ) também parabenizaram os profissionais e destacaram o simbolismo do mais importante prêmio pela paz. “Parabenizamos vocês dois pelo trabalho incansável para defender a liberdade de imprensa”, disse a IFJ.

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