"Todos nós somos migrantes", diz papa Leão XIV em último dia na Espanha
Pontífice visita as Ilhas Canária que receberam um número recorde de 46.843 pessoas em 2024; mais de três mil morreram somente em 2025 tentando chegar ao arquipélago

O papa Leão XIV se encontrou com migrantes em Tenerife nesta sexta-feira (12), último dia de sua visita de uma semana à Espanha, durante a qual o pontífice pediu aos líderes mundiais que tratassem os migrantes com mais humanidade.
“De certa forma, todos nós somos migrantes”, disse ele à plateia.
O pontífice, que tem se mostrado mais incisivo em suas críticas à direção da liderança global nos últimos meses, está visitando as Ilhas Canárias, um arquipélago espanhol na costa oeste da África, como culminação de sua visita de três paradas.
As ilhas são uma das principais portas de entrada para a Europa para migrantes, que arriscam uma travessia mortal pelas águas do Atlântico, muitas vezes em pequenas embarcações improvisadas e superlotadas.
“Ninguém abandona sua terra, sua família e suas raízes de livre e espontânea vontade quando pode viver em paz. Deixamos para trás nossas memórias, nossos entes queridos e uma parte de nossos corações, na esperança de encontrar uma vida melhor”, disse o migrante nigeriano Bousso Diouf em um discurso ao papa no evento.
Papa exige "caminhos legais e seguros para a imigração"
Localizadas a mais de mil quilômetros da Espanha continental, as Ilhas Canárias receberam um número recorde de 46.843 migrantes irregulares em 2024, em comparação com menos de mil em 2015, segundo dados oficiais.
Mais de três mil pessoas morreram em 2025 tentando chegar às ilhas, segundo a ONG Caminando Fronteras.
O pontífice disse ao Parlamento espanhol, na segunda-feira (8), que a falta de ajuda aos migrantes do mundo está desafiando "os fundamentos éticos da ordem internacional".
Na quinta-feira (11), ele pediu "vias legais e seguras" para a imigração, cooperação internacional no combate ao tráfico de pessoas e financiamento para o resgate de migrantes em perigo no mar.
O mundo precisa fazer mais para erradicar a pobreza, as guerras e a corrupção que forçam os migrantes a fugir de suas casas, afirmou ele.
"Não basta gerenciar as chegadas, divulgar estatísticas, reforçar as fronteiras ou lamentar as mortes depois que elas já ocorreram", continuou o papa.
Juan Carlos Lorenzo, coordenador da Comissão Espanhola para Refugiados nas Ilhas Canárias, disse à agência de notícias Reuters que a visita de Leão XIV foi um "marco significativo".
"Servirá como uma forte afirmação da defesa dos direitos humanos, do respeito e da dignidade que todas as pessoas merecem, independentemente de sua origem", disse Lorenzo.
Ao contrário da maior parte da Europa, a Espanha adotou uma postura mais aberta em relação aos migrantes, implementando um programa para conceder residência a mais de meio milhão de pessoas sem documentos.
A iniciativa, no entanto, atraiu críticas de líderes da ultradireita e o país enfrenta dificuldades com a lentidão na concessão de status legal a milhares de pessoas em situação migratória indefinida.


