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    Todos os líderes do G20 manifestam apoio a imposto mínimo global

    Novo esquema tributário se tornará oficial quando os líderes divulgarem comunicado oficial neste domingo (31)

    Líderes se reunem no G20, em Roma.
    Líderes se reunem no G20, em Roma. Divulgação/G20 Italy

    Kevin Liptakda CNN

    Todos os líderes do G20 apoiaram um imposto mínimo global para começar em 2023 durante a primeira sessão da cúpula, disse um alto representante do governo dos Estados Unidos.

    “O presidente enfatizou a importância deste acordo histórico durante sua intervenção”, disse o governante, referindo-se à vez de Biden se pronunciar durante a reunião. “O presidente também mencionou que, embora não concordemos em todas as questões, podemos abordar os interesses comuns.”

    O novo esquema tributário se tornará oficial quando os líderes divulgarem um comunicado neste domingo (31). O funcionário disse que Biden também “ressaltou seu compromisso em acabar com a pandemia global e garantir uma recuperação econômica global inclusiva, inclusive apoiando os países em desenvolvimento por meio do alívio da dívida”.

    Biden “lembrou aos líderes do G20 que novas pandemias podem surgir a qualquer momento, por isso é importante que fortaleçamos os sistemas globais de saúde e façamos mais para criar a infraestrutura de segurança sanitária global para garantir que estejamos preparados contra a próxima pandemia”, disse o funcionário.

    “O presidente enfatizou a necessidade de mercados de energia globais equilibrados, bem abastecidos e competitivos, para que não prejudiquemos este momento crítico de recuperação econômica”, completou.

    No início de outubro, 136 países assinaram um acordo para estabelecer um imposto mínimo global para grandes empresas até 2023. O Brasil está entre os signatários.

    O acordo atingiria gigantes da internet como Google, Amazon, Facebook, Microsoft e Apple, que teriam dificultadas eventuais operações em paraísos fiscais, que exigem menor pagamento de tributos.

    “Apelamos ao Quadro Inclusivo da OCDE / G20 sobre Erosão de Base e Transferência de Lucros para desenvolver rapidamente as regras modelo e instrumentos multilaterais conforme acordado no Plano de Implementação Detalhado, com vista a garantir que as novas regras entrarão em vigor a nível global em 2023 “, disse o rascunho das conclusões, visto pela Reuters.

    As discussões sobre a criação desse imposto, que será de 15% sobre os lucros das grandes companhias, começaram há quatro anos, mas ganharam força após a eleição do presidente dos Estados Unidos (EUA), Joe Biden, e sua posse em janeiro de 2021.

    A proposta teve como uma das principais defensoras a secretária do Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen. Para ela, estabelecer uma taxa mínima pode desencorajar empresas a desviar lucros para países onde pagariam menos impostos.

    O imposto mínimo global

    O acordo para a criação do novo imposto englobará 90% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, incluindo todos os países da OCDE e do G20. Para Juliana Damasceno, pesquisadora de economia aplicada do IBRE-FGVesse processo deve “derrubar uma insegurança jurídica sobre tributação, que varia de país em país, e impede uma guerra fiscal desenfreada”.

    A taxa de 15% será válida para empresas que tenham uma receita acima de 750 milhões de euros, e as estimativas apontam uma arrecadação de US$ 150 bilhões por ano.

    “A forma como os países vão calibrar esse imposto vai determinar muito [o sucesso], eu acredito que essa questão de alocar recursos de forma estratégica faz sentido, mas depende da regulação na prática, o destino do dinheiro”, afirma a pesquisadora.

    Pedro Forquesato, professor da FEA-USP, explica que o novo imposto global tem como alvo as empresas multinacionais, que operam em diversos países.

    “Elas existem há décadas, e reportam a maior parte dos lucros em paraísos fiscais, onde não há impostos, ou em países que têm impostos corporativos menores, como a Irlanda”, afirma.

    A existência desses locais faz parte do que o professor chama de “concorrência tributária internacional”, um contexto em que as empresas buscam países exatamente pelas vantagens de pagar menos, ou nenhum, imposto.

    (*Com informações da Reuters)