Tribunal da ONU condena acusado de matar ex-premiê do Líbano Rafik Hariri

Segundo a Corte, Salim Jamil Ayyash, membro do grupo xiita Hezbollah, contribuiu diretamente para sua realização de atentado; outros 3 réus foram absolvidos

Ex-premiê libanês Rafik Hariri foi morto em explosão contra seu comboio em 14 de fevereiro de 2005
Ex-premiê libanês Rafik Hariri foi morto em explosão contra seu comboio em 14 de fevereiro de 2005 Foto: Reuters

Da CNN, em São Paulo

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O Tribunal Especial para o Líbano, uma corte criminal internacional criada pela Organização das Nações Unidas (ONU), condenou nesta terça-feira (18) um membro do Hezbollah acusado de conspirar para matar o ex-primeiro-ministro libanês Rafik Hariri, em 2005.

A Corte também afirmou que não há evidências suficientes para condenar outros três homens acusados de serem cúmplices na explosão que matou o ex-premiê e, por isso, eles foram absolvidos.

Hariri, um bilionário muçulmano sunita, tinha laços estreitos com os Estados Unidos, aliados ocidentais e sunitas do Golfo Árabe, e era visto como uma ameaça à influência iraniana e síria no Líbano. Ele liderou os esforços para reconstruir Beirute após a guerra civil que devastou o país entre 1975 e 1990.

“A câmara de julgamento está satisfeita além de qualquer dúvida razoável de que a Promotoria provou a culpa de Salim Jamil Ayyash em todas as acusações”, disse o juiz David Re.

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“O sr. Ayyash teve um papel central na execução do ataque e contribuiu diretamente para sua realização. O sr. Ayyash pretendia matar o sr. Hariri e tinha o conhecimento necessário sobre as circunstâncias da missão de assassinato, incluindo os explosivos que foram o meio usado.”

Ayyash também era o dono de “um dos seis celulares usados pela equipe de assassinos”, concluiu o tribunal ao considerá-lo culpado de cometer um ataque terrorista e o homicídio de Hariri e 21 outras pessoas.

Os promotores também foram capazes de estabelecer que Ayyash tinha ligação com o Hezbollah, concluiu o tribunal em sua decisão de 2,6 mil páginas.

Os outros três réus também seriam membros do grupo muçulmano xiita apoiado pelo Irã, mas não foi possível estabelecer o papel deles no ataque.

Além de Hariri, mais proeminente político sunita do Líbano, atentado matou 21
Além de Hariri, mais proeminente político sunita do Líbano, atentado matou outras 21 pessoas
Foto: Reuters

Os juízes disseram, entretanto, que não encontraram evidências de que a liderança do Hezbollah ou o governo da Síria tenham participado do ataque. O Hezbollah negou qualquer envolvimento no atentado realizado em 14 de fevereiro de 2005.

“A câmara de julgamento é da opinião de que a Síria e o Hezbollah podiam ter tido motivos para eliminar o sr. Hariri e seus aliados políticos. No entanto, não há evidências de que a liderança do Hezbollah teve qualquer envolvimento no assassinato do sr. Hariri e não há qualquer evidência direta de envolvimento da Síria”, disse o juiz David Re.

O resultado do julgamento foi divulgado semanas depois de da enorme explosão em Beirute que matou 178 pessoas.

País polarizado

O assassinato de Hariri, em 2005, mergulhou o Líbano na sua pior crise desde o fim da guerra civil e criou as bases para anos de confronto entre forças políticas rivais.

O líder do Hezbollah, Sayyed Hassan Nasrallah, disse na sexta-feira (14) que não estava preocupado com o julgamento e que, se algum membro do grupo fosse condenado, defenderia sua inocência.

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A TV Al Manar, controlada pelo Hezbollah, e o canal pró-Damasco Al Mayadeen não cobriram o julgamento. Outras emissoras no Líbano transmitiram o caso ao vivo.

A morte de Hariri acabou com o período sunita de governo e permitiu a expansão política dos xiitas liderados pelo Hezbollah e seus aliados no Líbano.

Justiça após 15 anos

A investigação e o julgamento à revelia dos quatro supostos membros do Hezbollah levaram 15 anos e custaram cerca de US$ 1 bilhão. A sentença será divulgada futuramente e, apesar de Ayyash poder ser condenado a prisão perpétua, ele ainda tem chance de ser absolvido.

A evidência de DNA mostrou que a explosão que matou Hariri foi realizada por um homem-bomba que nunca foi identificado.

Os promotores usaram registros de telefone celular para alegar que os réus – Ayyash, Hassan Habib Merhi, Assad Hassan Sabra e Hussein Hassan Oneissi — monitoraram cuidadosamente os movimentos de Hariri nos meses que antecederam o ataque.

Advogados nomeados pelo tribunal disseram que não havia evidências físicas ligando os quatro homens ao crime e que eles deveriam ser absolvidos.

(Com informações da Reuters)

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