Trump acredita que acordo diplomático com Cuba é possível

Presidente dos Estados Unidos afirma que país precisa de assistência, mesmo sem mudança de regime

Humeyra Pamuk, Ismail Shakil e Doina Chiacu, da Reuters
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (19) que acredita que um acordo diplomático pode ser alcançado com o governo de Cuba e que ele pode ajudar o país, independentemente de haver ou não uma "mudança de regime" no país.

"Acho que sim", declarou Trump a repórteres na Casa Branca quando perguntado se acreditava que um acordo diplomático com Havana poderia ser alcançado.

"Cuba está nos ligando. Eles precisam de ajuda. Mas Cuba é uma nação fracassada. Cuba precisa de ajuda, e nós faremos isso", disse ele.

O governo descreve o atual governo comunista de Cuba como corrupto e incompetente e está pressionando por uma mudança de regime.

Trump, impôs um bloqueio de petróleo à ilha caribenha, o que restringiu severamente o fornecimento e levou a um racionamento rigoroso.

Havana não recebe carregamentos de petróleo desde que o navio-tanque russo Anatoly Kolodkin entregou aproximadamente 700 mil barris – o equivalente a cerca de duas semanas para a ilha de dez milhões de habitantes – no final de março.

Entenda a atual crise entre os países

Cuba, inimiga comunista de Washington há gerações, está sob crescente pressão desde que os Estados Unidos cortaram seu fornecimento de energia após a prisão do presidente da então aliada Venezuela em janeiro.

Nas últimas semanas, o combustível se esgotou e a eletricidade está disponível apenas por uma ou duas horas por dia.

As tensões entre os dois países aumentaram muito nos últimos dias. A Reuters informou na semana passada, citando fontes do Departamento de Justiça dos EUA, que os promotores planejavam indiciar o ex-líder cubano Raúl Castro, 94 anos, pelo abate de dois aviões operados por um grupo humanitário em 1996.

O ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez, em uma postagem separada, disse que Cuba, "como todas as nações do mundo", tem o direito à legítima autodefesa contra agressões externas, de acordo com a Carta da ONU e o direito internacional.

Ulises Medina, 58 anos, morador de Havana, pediu negociações. "Não seria correto que os Estados Unidos invadissem Cuba, nem que Cuba invadisse os Estados Unidos", disse ele. "Eles precisam chegar a um acordo, conversar e negociar. Cuba, em qualquer caso, se defenderá porque o país não se renderá."

Um indiciamento de Raúl Castro -- irmão do falecido ex-líder Fidel Castro e herói da Revolução Cubana de 1959 -- marcará uma grande escalada na pressão sobre Cuba por parte do governo Trump.

"O povo cubano não permite que ninguém interfira em suas terras", disse Jorge Villalobos, 87 anos. "Os cubanos sabem como se defender, mesmo com paus e pedras."