Trump anuncia envio de navio-hospital dos EUA para a Groenlândia

Presidente dos EUA afirmou que envio serve para pessoas doentes que não estão recebendo cuidados necessários

Aleena Fayaz e Riane Lumer, da CNN
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no sábado (21) que enviará um navio-hospital para a Groenlândia – a ilha ártica e território dinamarquês que ele quer anexar.

“Trabalhando com o fantástico governador da Louisiana, Jeff Landry, enviaremos um ótimo navio-hospital para a Groenlândia para cuidar das muitas pessoas que estão doentes e não recebendo os cuidados necessários. Ele está a caminho!!!”, publicou o republicano nas redes sociais, junto com uma ilustração do navio-hospital da Marinha dos EUA, o USNS Mercy.

Não está claro a que Trump se referia em sua publicação. A Groenlândia e a Dinamarca possuem sistemas de saúde públicos e gratuitos.

A CNN entrou em contato com a Casa Branca, a Embaixada da Dinamarca em Washington, o gabinete de Landry, o governo dinamarquês e o parlamento da Groenlândia para obter mais detalhes.

O Pentágono encaminhou as perguntas ao Comando Norte dos EUA, que, por sua vez, as encaminhou à Marinha dos EUA. A Marinha não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

Landry, nomeado por Trump em dezembro como enviado especial para a Groenlândia, disse nas redes sociais que está “orgulhoso de trabalhar” com o presidente “nesta importante questão”.

A Marinha dos Estados Unidos possui dois navios-hospital móveis, o USNS Mercy e o USNS Comfort, que apoiam as tropas durante missões e prestam serviços de socorro em desastres e operações humanitárias dos EUA.

Durante o auge da pandemia de Covid-19 em 2020, a Marinha enviou o USNS Comfort para a cidade de Nova York, o epicentro do surto do vírus no país.

A Groenlândia, estrategicamente localizada, possui a menor densidade populacional do mundo e, devido à limitada rede de estradas, seus 56 mil habitantes se deslocam de barco, helicóptero e avião entre as cidades da ilha.

Washington possui uma base militar na Groenlândia, a Base Espacial Pituffik, localizada na costa oeste da ilha.

A publicação de Trump ocorre um mês após seus esforços intensificados para obter a Groenlândia terem abalado os aliados europeus, ao afirmar que os EUA não se contentariam com nada menos que o controle total do país.

No final de janeiro, o líder americano anunciou "a estrutura de um futuro acordo" sobre a Groenlândia com o chefe da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), mas seu interesse contínuo na ilha ártica levanta questões sobre a soberania de Nuuk.

A ideia de uma liderança americana tem incomodado os groenlandeses, incluindo o engenheiro municipal Ludvig Petersen.

Ele já havia declarado à CNN que sua principal aversão ao controle americano decorre da questão da saúde privada.

"Não gosto da ideia de nos tornarmos parte dos Estados Unidos", afirmou ele. "Minha principal preocupação é toda essa privatização da saúde e da educação. Não é algo a que estamos acostumados."

O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, respondeu neste domingo (22) "não, obrigado" à ideia de enviar um navio-hospital ao território.

"A ideia do presidente Trump de enviar um navio-hospital americano para a Groenlândia foi observada. Mas temos um sistema público de saúde onde o tratamento é gratuito para os cidadãos. É uma escolha deliberada", afirmou Nielsen em uma publicação no Facebook.

Nielsen afirmou que a Groenlândia permanece aberta ao diálogo e à cooperação, inclusive com os Estados Unidos.

"Mas falem conosco em vez de ficarem fazendo comentários aleatórios nas redes sociais", disse ele.

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