Trump busca apoios no Caribe em meio à pressão contra Maduro na Venezuela

Presidente dos EUA declarou apoio a Tito Asfura à Presidência de Honduras; país tem o principal posto avançado das forças militares americanas na América Central

Henrique Sales Barros, da CNN Brasil*, em São Paulo
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Ao declarar apoio à candidatura de Nasry “Tito” Asfura à Presidência de Honduras, Donald Trump disse que os Estados Unidos poderiam trabalhar com o conservador no combate aos “narcocomunistas”.

Será que (Nicolás) Maduro e seus narcoterroristas tomarão o poder em outro país, como fizeram com Cuba, Nicarágua e Venezuela? O homem que defende a democracia e luta contra Maduro é Tito Asfura”, afirmou o presidente americano nesta quinta-feira (27), via redes sociais.

Sob o argumento de combate ao “narcoterrorismo” — que teria no presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, uma de suas lideranças —, os Estados Unidos vêm deslocando tropas para o Caribe e realizando exercícios militares nas últimas semanas.

Os Estados Unidos têm laços militares com Honduras, especialmente com a atuação conjunta com as forças hondurenhas na Base Aérea de Soto Cano, a 80 km da capital Tegucigalpa.

Nesta base, está sediada a força-tarefa conjunta Bravo, considerada o principal posto avançado militar dos Estados Unidos na América Central. Nos últimos anos, ela tem servido majoritariamente para ações de ajuda humanitária.

Em janeiro, a presidente socialista de Honduras, Xiomara Castro, chegou a ameaçar romper a parceria entre as forças de ambos os países em meio a falas de Trump sobre como seria sua política de deportação em massa de imigrantes indocumentados.

Os EUA não têm contado com apoio de Honduras para as ações no Caribe e contra a Venezuela, mas vêm realizando treinamentos militares conjuntos com forças de Trinidad e Tobago — país insular a cerca de 10 km da costa venezuelana — e do Panamá.

Na quarta-feira (26), o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, esteve na República Dominicana. Ao lado dele, o presidente Luis Abinader anunciou uma autorização para os Estados Unidos utilizarem a principal base aérea dominicana — em San Isidro — para operações militares contra o tráfico de drogas na região.

“Penso que isto é um modelo para a região, um modelo que esperamos desenvolver com outros países que queiram cerrar fileiras conosco”, afirmou Hegseth em entrevista coletiva ao lado de Abinader.

Já nesta quinta, Hegseth visitou o maior porta-aviões do mundo, o USS Gerald R. Ford. O navio militar, capaz de transportar 70 aeronaves, está na região do Caribe há cerca de dez dias.

Eleição em Honduras

Empresários da construção civil, Asfura tem pautado sua campanha pela necessidade de modernizar a infraestrutura do país. A filiação ao Partido Nacional é um dos principais calos no sapato da candidatura do ex-prefeito de Tegucigalpa, já que o último presidente pela sigla, Juan Orlando Hernández (2014-2022), cumpre pena de mais de 40 anos nos Estados Unidos após condenação por tráfico de drogas.

Honduras deve eleger seu próximo presidente neste domingo (30), em uma eleição de turno único. As pesquisas eleitorais têm indicado empate técnico entre três candidatos: Rixi Moncada, Asfura e Salvador Nasralla.

Trump diz que Rixi Moncada — candidata governista — está entre os “comunistas”. Já Nasralla, não seria um “amigo da liberdade”, mas um “comunista de fachada” que estaria na disputa para “dividir os votos de Asfura”.

Nasralla tem buscado se consolidar como uma alternativa à direita a partir de uma agenda anticorrupção. Ele se aliou a Xiomara na eleição de 2021 para derrotar Asfura em meio ao estouro de escândalos envolvendo Hernández e o Partido Nacional e acabou ocupando a vice-presidência do país, cargo ao qual renunciou na metade do mandato da socialista, a quem agora faz oposição.

Há pesquisas em Honduras apontando tanto Moncada, como Asfura ou Nasralla, liderando a corrida presidencial. Ainda assim, o ex-vice presidente tem aparecido à frente em mais ocasiões, com o agora apoiado por Trump vindo na sequência.

* Com informações da Reuters