Trump busca vitória; Netanyahu busca sobrevivência política, diz professor

Ao WW, Fernando Brancoli, professor de Geopolítica da UFRJ,, analisa as diferentes motivações de Trump e Netanyahu em meio ao mal-estar entre os dois líderes sobre a guerra com o Irã

Da CNN Brasil
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O mal-estar entre o presidente americano, Donald Trump, e o primeiro ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ganhou contornos mais definidos após o próprio Trump confirmar, em entrevista ao The New York Post, as tensões com o líder israelense. Segundo análise do professor de Geopolítica Fernando Brancoli ao WW, os dois líderes perseguem objetivos distintos no contexto do conflito com o Irã.

Brancoli aponta que o tema dominou o debate público nos Estados Unidos durante o fim de semana.

Embora algumas vozes tenham levantado a hipótese de que o desentendimento seria apenas um "jogo de cena", a confirmação da interlocução entre os dois líderes afastou essa interpretação.

"A confirmação é de que esse tipo de debate realmente aconteceu", destacou o especialista.

Objetivos divergentes

De acordo com Brancoli, há uma percepção, tanto por parte de Trump quanto do seu círculo de segurança nacional, de que Netanyahu, em determinados momentos, age por conta própria, passando por cima de acordos estabelecidos com os Estados Unidos.

Para o especialista, Trump busca, de maneira muito explícita, "encontrar uma vitória, ou pelo menos uma possibilidade de declarar uma vitória, ou pelo menos um apaziguamento dos conflitos nesse momento".

Netanyahu, segundo Brancoli, enfrenta uma posição internamente em Israel que está longe de ser confortável.

O líder israelense tem receio de que, em um momento de calmaria, Israel volte a concentrar energia e atenção em acusações de corrupção que pesam contra ele.

Diante disso, Netanyahu pretenderia continuar utilizando a inércia do conflito para avançar seus objetivos políticos, especialmente no que diz respeito ao sul do Líbano.

Relações ainda devem continuar

Apesar da tensão, Brancoli avalia que não há perspectiva de um rompimento efetivo entre os dois líderes.

"Trump já deu sinais de que ele pode ser grosseiro, pode criticar, mas em determinado momento ele pode voltar atrás", afirmou o especialista.

"Não me parece que vai ocorrer efetivamente um encerramento de relações com Netanyahu. Acho que as relações vão continuar apesar dessa briga."

Em outro ponto da análise, Brancoli mencionou uma movimentação no Congresso americano.

Democratas vêm buscando, há pelo menos seis meses, impor a exigência de que Trump passe pelo Congresso antes de usar a força militar.

Uma medida nesse sentido foi aprovada na Câmara dos Deputados, mas ainda precisa passar pelo Senado, onde o caminho tende a ser mais difícil.

Para o especialista, trata-se, por ora, de "muito mais um recado simbólico do que efetivamente a possibilidade de uma grande mudança" nas próximas semanas.

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