Trump deixa sul-coreanos detidos ficarem nos EUA, mas apenas um aceitou

Trabalhadores irregulares trabalhavam em fábrica da Hyundai e foram encontrados durante operação de imigração

Jack Kim e Ju-min Park, da Reuters
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deixou que centenas de trabalhadores sul-coreanos presos durante uma operação de imigração permanecessem nos Estados Unidos, mas apenas um deles optou por ficar, informaram autoridades sul-coreanas nesta quinta-feira (11).

A proposta de Trump buscava encorajar os funcionários a ficar e treinar os americanos, segundo as autoridades. Isso resultou em um atraso de um dia na partida de um avião fretado para trazer os trabalhadores de volta para casa.

A aeronave agora está programada para deixar os EUA no final desta quinta-feira (11).

Imagens de TV mostraram os trabalhadores embarcando em diversos ônibus do lado de fora das cercas de arame farpado de um centro de detenção por volta das 2h da manhã (no horário local) desta quinta para seguirem para o aeroporto de Atlanta, no estado da Geórgia.

Ao contrário de outras deportações americanas, eles não foram algemados, atendendo a uma demanda fundamental da Coreia do Sul, que ficou horrorizada com a operação, particularmente com o uso de veículos blindados e algemas.

Cerca de 300 sul-coreanos foram presos na semana passada, juntamente com mais de 150 outros, no canteiro de obras da Geórgia de um projeto de US$ 4,3 bilhões da Hyundai Motor e da LG Energy Solution para fabricar baterias para carros elétricos.

Embora a atividade tenha sido alardeada pelas autoridades de imigração dos EUA, a operação ameaça desestabilizar os laços em um momento em que os dois países buscam finalizar um acordo comercial e afastar o investimento sul-coreano nos Estados Unidos, que Trump tanto deseja garantir.

"Nossos negócios que entraram nos Estados Unidos provavelmente estão em um estado de grave confusão", afirmou o presidente Lee Jae-myung em uma coletiva de imprensa nesta quinta-feira (11) para marcar seus primeiros 100 dias no cargo.

Parlamentares na capital Seul reconheceram que pode ter havido alguma ultrapassagem dos limites de um programa de isenção de visto de 90 dias ou de um visto temporário de negócios B-1.

Mas as empresas sul-coreanas também reclamam há anos que têm dificuldades para obter vistos de trabalho de curto prazo para especialistas necessários em suas fábricas de alta tecnologia nos EUA e passaram a depender de uma zona cinzenta de interpretação mais flexível das regras de visto sob governos americanos anteriores.

Vistos para coreanos

Após a operação, Washington e Seul concordaram em discutir o estabelecimento de uma nova categoria de visto para coreanos, afirmou o ministro das Relações Exteriores da Coreia do Sul, Cho Hyun.

Mas as dificuldades atuais em enviar funcionários para os EUA podem afetar o investimento direto. "Nossas empresas que estão investindo nos Estados Unidos sem dúvida hesitarão muito", declarou Lee.

Seul também solicitou que os trabalhadores detidos não sejam prejudicados caso tentem retornar aos Estados Unidos.

A Casa Branca, o Departamento de Estado dos EUA e o Departamento de Segurança Interna não responderam imediatamente aos pedidos de comentários.

Embora o impacto mais amplo sobre o investimento sul-coreano nos Estados Unidos ainda não esteja totalmente claro, alguns trabalhadores sul-coreanos estão abandonando em massa mais unidades americanas de produção da LG Energy Solution devido a problemas com vistos, disseram pessoas familiarizadas com a situação.

A LG Energy Solution também solicitou que seus subcontratados preparassem planos de contingência e contratassem trabalhadores locais, segundo uma das pessoas.

Muitos dos trabalhadores detidos são funcionários de subcontratados envolvidos no projeto. A mídia sul-coreana também informou que um número menor de cidadãos japoneses e chineses também foi preso durante a operação.

O Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que sua embaixada nos Estados Unidos está trabalhando para obter uma compreensão detalhada da situação e fornecer a assistência necessária aos seus cidadãos.

"Instamos os EUA a aplicar as leis de forma imparcial e a garantir os direitos e interesses legítimos dos cidadãos chineses envolvidos", afirmou em comunicado à agência de notícias Reuters.

O Japão informou que três de seus cidadãos foram afetados pela operação e que tomará as medidas adequadas para protegê-los.