Trump demonstra certo "desdém" com a Otan, diz professor à CNN
Em entrevista à CNN, João Carlos Souto analisa declarações do presidente americano sobre o Estreito de Ormuz e as tensões entre EUA, Israel e Irã
O presidente americano, Donald Trump, declarou que os países aliados devem tomar o Estreito de Ormuz se quiserem voltar a ter acesso ao petróleo, afirmando ainda que a passagem será reaberta automaticamente após a saída dos Estados Unidos da região. Estas declarações foram analisadas pelo professor João Carlos Souto, convidado do mestrado da UFF (Universidade Federal Fluminense), durante entrevista ao CNN.
Segundo Souto, Trump tem demonstrado em diversas ocasiões um certo "desdém" com relação à aliança com a Otan e com os países europeus. "A impaciência que ele demonstra, seja com Keir Starmer, na Inglaterra, com Emmanuel Macron, na França, não é de agora, não é desse conflito Israel-Estados Unidos e Irã", explicou o especialista.
O professor destacou que, há aproximadamente dez dias, Trump afirmou não precisar do apoio da Inglaterra porque a guerra já estaria vencida, sugerindo que o primeiro-ministro inglês chegava atrasado ao conflito. "O maior exército mais equipado, mais moderno do planeta daria conta de resolver todo esse imbróglio causado a partir de 28 de fevereiro", comentou Souto, referindo-se à postura do presidente americano.
Estratégia iraniana e impactos econômicos
O professor da UFF avaliou que o Irã tem adotado uma estratégia inteligente ao impor prejuízos aos aliados e aos interesses dos Estados Unidos na região. O professor observou que o regime iraniano está lidando com o calendário eleitoral americano, considerando que Trump enfrentará eleições de meio de mandato em oito meses.
Um dos pontos destacados foi o impacto econômico para os cidadãos americanos. "O Irã lida com o bolso do americano médio que viu a gasolina subir de US$ 2,98 em média para US$ 4,02 hoje", explicou Souto, ressaltando que esse aumento afeta diretamente a popularidade do presidente americano.
O especialista também mencionou que o Irã tem ampliado seus alvos, mirando não apenas em países aliados dos Estados Unidos, como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Catar, mas também anunciando possíveis ataques contra empresas norte-americanas na região do Oriente Médio. Essa estratégia visa pressionar a Casa Branca para buscar uma solução para o conflito.
Outro ponto observado por Souto é a dificuldade em identificar quem efetivamente representa o Irã nos foros internacionais. "Não se sabe quem tem as rédeas do país nesse exato momento", afirmou, indicando a complexidade das negociações em um cenário onde o regime iraniano não está sujeito ao mesmo tipo de pressão eleitoral ou controle de outros poderes que o governo americano enfrenta.


