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    Trump diz que imigrantes ilegais formam “exército” para atacar norte-americanos

    Fala aconteceu durante comício no Bronx, bairro com muitos moradores hispânicos e negros

    Trump durante comício no Bronx, em Nova York
    Trump durante comício no Bronx, em Nova York 23/5/2024 REUTERS/Brendan McDermid

    Helen CosterNathan Layneda Reuters

    Donald Trump, candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos, afirmou na quinta-feira (23), sem apresentar provas, que imigrantes de África, Oriente Médio e outros locais estão “formando um exército” para atacar os norte-americanos “por dentro”.

    Ele procurou retratar os imigrantes da China, da República Democrática do Congo e de outros países como uma ameaça violenta, mesmo que os estudos mostrem que os imigrantes não têm maior probabilidade de se envolver em crimes.

    As falas aconteceram durante um comício em um bairro de maioria hispânica e negra no South Bronx, em Nova York.

    “Quase todos são homens e parecem ter idade para lutar. Acho que eles estão formando um exército. Eles querem nos atacar por dentro”, alegou Trump a alguns milhares de apoiadores que se reuniram para ouvi-lo no Crotona Park, no South Bronx.

    Ao longo de sua campanha, o republicano tem usado linguagem incendiária para acusar os imigrantes que estão ilegalmente nos EUA de fomentar crimes violentos, chamando-os de “animais” responsáveis por “envenenar o sangue” do país.

    Ele justifica suas falas citando casos individuais de crimes, em vez de dados agregados.

    “Não vamos deixar que essas pessoas entrem e tirem nossa cidade de nós e tirem nosso país”, afirmou Trump, prometendo realizar “a maior operação de deportação de criminosos da história de nosso país” se for reeleito para a Casa Branca.

    O empresário também tentou vincular os níveis recordes de imigrantes pegos cruzando ilegalmente a fronteira entre os EUA com o México à situação econômica dos eleitores negros e hispânicos, argumentando, sem provas, que os imigrantes estavam tomando seus empregos.

    Comício no Bronx

    A decisão de Donald Trump de discursar no Bronx foi, em parte, uma questão de conveniência.

    A agenda de sua campanha tem sido prejudicada por seu julgamento em Nova York da acusação de ter falsificado registros comerciais para ocultar o pagamento de um suborno a uma estrela de filmes adultos.

    Em abril, ele fez uma visita de campanha em uma loja de conveniência no Harlem, em Nova York.

    Trump está em uma disputa acirrada com o presidente democrata Joe Biden para a eleição de 5 de novembro. O comício no Bronx foi parte de seu esforço para explorar o enfraquecimento do apoio de Biden entre os eleitores hispânicos e negros.

    Aproximadamente 55% dos moradores do condado do Bronx são hispânicos, e cerca de um terço são negros. A multidão do evento de quinta-feira era mais misturada racialmente do que em seus comícios habituais, que são predominantemente brancos.

    A campanha de Trump tinha permissão para que até 3.500 pessoas participassem do comício, informou o Departamento de Parques da Cidade de Nova York.