Trump diz que número 86 é gíria da máfia após acusação contra ex-FBI

James Comey publicou uma foto na praia, com conchas formando os números "86 47"; governo americano afirma que os números representam uma ameaça de morte

Geraldine Downer e Ivan Romero, da Reuters
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O presidente dos EUA, Donald Trump, descreveu nesta quarta-feira (29) o termo "86" como sendo usado por mafiosos, após o ex-diretor do FBI, James Comey, ter sido indiciado por uma publicação no Instagram mostrando conchas na areia posicionadas formando os números "86 47".

Segundo autoridades do governo americano, o número "86" é uma gíria originária do ramo alimentar, que pode significar "livrar-se de" ou expulsar alguém. "47"  é uma possível referência a Trump como o 47º presidente dos EUA.

O ex-diretor do FBI, James Comey, compareceu a um tribunal federal na Virgínia nesta quarta-feira, um dia após ser indiciado por uma publicação em uma rede social que, segundo os promotores, ameaçava o presidente Donald Trump.

Comey se entregou sob duas acusações, incluindo ameaçar a vida do presidente e transmitir ameaças através das fronteiras estaduais.

O ex-diretor do FBI não falou durante a breve audiência. Seu advogado, Patrick Fitzgerald, disse que argumentaria que o caso é uma perseguição vingativa, ou seja, foi instaurado para punir Comey por exercer seus direitos legais. Comey afirmou ser inocente e que lutará contra as acusações no tribunal.

As acusações, que acarretam pena máxima de cinco anos de prisão, referem-se a uma publicação que Comey fez no Instagram em maio passado, mostrando conchas na areia formando os números “86 47”.

A acusação alega que um destinatário razoável da mensagem a interpretaria como uma ameaça a Trump.

Comey apagou a publicação pouco após ser publicada, dizendo que a considerava uma mensagem política e que não sabia que o número poderia ser associado à violência.

Comey, um antigo opositor de Trump, já enfrentou dois processos criminais do Departamento de Justiça durante o segundo mandato de Trump. Um processo anterior, que o acusava de mentir ao Congresso, foi arquivado por um juiz federal.