Trump e o caso Epstein: Veja as principais revelações dos 20 mil documentos
Conteúdo Exclusivo: E-mails divulgados pelo Comitê de Supervisão da Câmara dos Estados Unidos mostram comentários do empresário sobre o presidente americano
O Comitê de Supervisão da Câmara dos Estados Unidos divulgou na quarta-feira (12) mais 20 mil páginas de documentos recebidos dos arquivos do empresário Jeffrey Epstein, criminoso sexual condenado, cuja morte por suicídio gerou grande investigação sobre as pessoas influentes com quem ele mantinha relações.
Os emails incluem uma mensagem na qual Epstein afirma que o presidente Donald Trump "sabia sobre as garotas" — aparentemente em referência à alegação de Trump de que expulsou ele de seu clube Mar-a-Lago por assediar jovens funcionárias.
O empresário também escreveu "Eu sei o quanto Donald é sujo", referindo-se a possíveis escândalos que poderiam surgir sobre o atual líder dos Estados Unidos, em um email de 2018 enviado a um conselheiro da Casa Branca durante o governo do ex-presidente Barack Obama.
Epstein também comentou sobre o estado mental de Trump em 2018.
A secretária de imprensa, Karoline Leavitt, criticou os emails, afirmando que eles não provam "nada". Trump acusou os democratas de trazerem à tona o caso Epstein para "desviar" a atenção de sua gestão sobre a paralisação do governo.
Repórteres da CNN analisaram os milhares de arquivos, e você pode ler os destaques abaixo.
Saiba o que está escrito nos e-mails
A CNN analisou alguns dos emails divulgados pelos democratas do Comitê de Supervisão da Câmara dos Estados Unidos na quarta-feira (12), nos quais Jeffrey Epstein menciona o presidente Donald Trump nominalmente.
Em um email de 2 de abril de 2011, que a CNN analisou independentemente, Epstein escreveu para sua antiga namorada Ghislaine Maxwell:
passou horas na minha casa com ele, ele nunca foi mencionado uma vez sequer. chefe de polícia. etc. estou 75% lá.""]"Quero que você perceba que o cachorro que não latiu é o trump... [REDIGIDO] passou horas na minha casa com ele, ele nunca foi mencionado uma vez sequer. chefe de polícia. etc. estou 75% lá."
Membros republicanos do Comitê identificaram a pessoa como Virginia Giuffre, uma das sobreviventes mais proeminentes de Epstein que morreu por suicídio em abril, e acusaram os democratas de ocultarem seu nome porque ela não havia alegado qualquer irregularidade por parte de Trump.
A última divulgação também incluiu emails entre o empresário e o autor Michael Wolff, incluindo um de janeiro de 2019 durante o primeiro mandato de Trump.
Segundo o email analisado pela CNN, Epstein escreveu para Wolff aparentemente para contestar a alegação de Trump de que teria pedido a Epstein para renunciar à sua filiação no Clube Mar-a-Lago do presidente.
"Trump disse que me pediu para renunciar", escreveu Epstein, acrescentando: "nunca fui membro."
"é claro que ele sabia sobre as garotas, já que pediu a Ghislaine para parar."
A Casa Branca afirmou que Trump proibiu Epstein de frequentar seu clube Mar-a-Lago "por ser um pervertido", e o próprio Trump disse que o empresário "roubava" jovens mulheres que trabalhavam no spa do clube ao explicar por que o relacionamento entre eles terminou.
Em entrevista concedida este ano ao procurador-geral adjunto Todd Blanche, Ghislaine Maxwell, negou ter feito recrutamento no local.
A associação do presidente americano com Epstein é conhecida publicamente há muito tempo, embora o presidente tenha negado qualquer irregularidade.
Documentos mostram que Epstein chamou Trump de "quase insano" em 2018
Em um dos milhares de documentos divulgados, o empresário Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais, chamou o presidente Donald Trump de "quase insano" em uma troca de e-mails em 2018 com o ex-secretário do Tesouro Larry Summers.
"Trump - beirando a insanidade", escreveu ele em 22 de dezembro de 2018. Não está claro o que motivou a troca de mensagens entre os dois.
Alguns dos e-mails entre os milhares de documentos divulgados mostram Jeffrey Epstein recebendo atualizações sobre Donald Trump vendendo um avião particular.
Em uma mensagem de abril de 2011, alguém informou a Epstein: "Ouvi dizer que Trump tem um contrato para seu B272", mas "nenhum dinheiro foi trocado" ainda
O remetente está censurado.
Alguém informou a Epstein em um e-mail de maio de 2011: "O B727 de Trump foi vendido por 2,7M." O remetente está censurado, mas Epstein, um contador e um advogado foram copiados.
Empresário chamou Trump de "maluco pra c***" em um e-mail de janeiro de 2017
Uma semana após Donald Trump tomar posse em seu primeiro mandato como presidente dos EUA, ele assinou uma ordem executiva proibindo a entrada de cidadãos estrangeiros de países de maioria muçulmana por 90 dias, amplamente conhecida como "proibição muçulmana".
Jeffrey Epstein disse em um e-mail a um repórter do New York Times em 28 de janeiro de 2017: "Isso ajuda, pois ele é visto como alguém que cumpre sua palavra."
Ele acrescentou depois no e-mail: "Dito isso, Donald é maluco pra c***, eu te avisei."

Epstein discutiu a campanha de Trump em 2016
Os e-mails mostram uma interessante troca entre o empresário e Soon-Yi Previn, esposa do cineasta Woody Allen.
Epstein enviou um artigo para Previn intitulado "Chefe da CIA de Bill Clinton se junta à campanha de Trump". O artigo, publicado pelo The Hill em setembro de 2016, era sobre o ex-diretor da CIA nomeado por Clinton, James Woolsey, que se juntou à campanha presidencial de Trump em 2016.
"Woody disse que isso não significa nada", escreveu Previn em resposta a Epstein.
Não está claro por que ele destacou a notícia para Previn e qual interesse, se é que havia algum, ela ou seu marido teriam no envolvimento de Woolsey com Trump.
Epstein e Maxwell coordenaram a resposta pública após o processo de 2015 que alegou abuso sexual
Em janeiro de 2015, uma mulher anônima – posteriormente identificada como Virginia Roberts Giuffre – entrou com um processo alegando que Jeffrey Epstein e Ghislaine Maxwell a aliciaram e abusaram sexualmente dela entre 1998 e 2002.
O processo alegava que eles a forçaram a se tornar uma "escrava sexual" de homens poderosos – incluindo um príncipe real posteriormente identificado como Andrew Mountbatten-Windsor.
Mountbatten-Windsor, que foi destituído de seu título de príncipe, negou as acusações e posteriormente chegou a um acordo no processo movido por Giuffre contra ele.
Em diversas trocas de e-mails em 10 de janeiro de 2015, após o processo ter sido apresentado, Epstein e Maxwell coordenaram sua resposta pública às alegações.
"Resposta inicial, muitas questões sem resposta levantadas, relacionamento com jeffrey/... Estou escrevendo para responder às alegações que foram feitas, as quais são categoricamente falsas", escreveu o empresário para a antiga namorada.
Ela respondeu perguntando se seu advogado poderia falar com outro advogado, e então escreveu: "Preciso me distanciar de você na declaração também. E eles precisam que eu diga que não estava ciente da massagem com andrew em minha casa. Essas coisas precisam permanecer junto com o encontro [CENSURADO] e a refutação dessas alegações"
"Preciso disso urgentemente."
Depois que Epstein garantiu a ela que estava ao telefone com o advogado dele sobre conseguir defesa para ela, Maxwell respondeu: "Preciso disso por escrito, detalhadamente."
"Me ligue", respondeu Epstein.
Maxwell posteriormente resolveu um processo por difamação com Giuffre em junho de 2017 por uma quantia não divulgada.
Em uma entrevista ao Departamento de Justiça neste verão, Maxwell disse que seu relacionamento com Epstein era "quase inexistente" entre 2010 e 2019, exceto por correspondências sobre questões legais.
Empresário trocou e-mails sobre o estado mental de Trump com seu advogado pessoal e um ex-funcionário do governo Obama
Em uma troca de e-mails de 24 de março de 2018 com Kathryn Ruemmler, ex-conselheira da Casa Branca durante o governo do presidente Barack Obama, Epstein compartilhou um artigo do Daily Beast intitulado "Quão próximo está Donald Trump de um colapso psiquiátrico?"
A troca mostra Epstein encaminhando a matéria no início daquela manhã para Ruemmler, que respondeu: "Não inspira confiança." Ele então respondeu: "mas - preciso."
Um ano antes, em julho de 2017, Ruemmler escreveu um e-mail para Epstein dizendo: "Trump é verdadeiramente estúpido."
"Óbvio", respondeu o empresário algumas horas depois. Não está claro por que Ruemmler e Epstein estavam se correspondendo na época.
Mas o Wall Street Journal reportou em 2023 que um porta-voz do Goldman Sachs, onde Ruemmler estava empregada na época, afirmou que ela tinha uma relação profissional com Epstein relacionada ao seu cargo no escritório de advocacia Latham & Watkins LLP.
Ruemmler não respondeu imediatamente ao pedido de comentário da CNN.
Em dezembro de 2018, Epstein enviou um e-mail a Ruemmler sobre o comportamento de Trump, escrevendo:
"você talvez queira dizer aos seus amigos democratas que tratar Trump como um chefe da máfia ignora o fato de que ele tem um poder perigoso imenso. Apertar o cerco muito lentamente arrisca criar uma situação muito ruim. Gambino nunca foi comandante-chefe. Havia pouco que Gambino pudesse fazer quando o cerco se fechava. Não é o caso com este maníaco."
No mesmo dia, Epstein encaminhou o mesmo comentário para Reid Weingarten, um advogado que trabalhou para ele.
Weingarten respondeu que Trump estava "começando a se comportar de maneira muito errática." Epstein escreveu de volta: "beirando a insanidade. e corroborado por algumas pessoas próximas."
Epstein questionou se Trump tinha "demência precoce"
No início de janeiro de 2018, enquanto surgiam questionamentos sobre o comportamento de Trump após o lançamento do livro "Fire and Fury" de Michael Wolff, Jeffrey Epstein trocou uma série de e-mails com um repórter do The New York Times discutindo o estado mental do presidente.
O empresário enviou ao repórter um trecho do livro que foi publicado na New York Magazine.
Quando o jornalista comentou que Trump estava "parecendo/soando cada vez mais perturbado", Epstein respondeu: "sem dúvida, a declaração de Donald é absurda... demência precoce?"

Empresário enviou um e-mail ao então príncipe Andrew: 'Você está bem?'
Em março de 2011, quando o escândalo Epstein foi repercutido pelos tabloides britânicos com foco no envolvimento do então príncipe Andrew, Epstein entrou em contato com Andrew para saber como ele estava.
"Você está bem?", escreveu ele para um e-mail identificado como "O Duque", uma aparente referência a Andrew, conhecido na época como duque de York. "Essas histórias são pura e completa fantasia."
O rei Charles III retirou o título de príncipe de Andrew no mês passado e o forçou a deixar a residência real. Andrew havia renunciado ao título de Duque de York semanas antes.
"Eu sei o quão sujo Donald é", disse Jeffrey Epstein em 2018
Em um e-mail de agosto de 2018 para Kathryn Ruemmler, ex-conselheira da Casa Branca durante o governo do presidente Barack Obama, Epstein escreveu: "Eu sei o quanto Donald é sujo", referindo-se a possíveis escândalos que poderiam surgir sobre Donald Trump.
Ele enviou a mensagem em 23 de agosto de 2018, após Michael Cohen, antigo fixador de Trump, se declarar culpado por crimes federais de financiamento de campanha. Como parte de um acordo de cooperação com promotores, Cohen implicou o republicano em um esquema de pagamento de suborno em 2016 envolvendo a atriz de filmes adultos Stormy Daniels para encobrir um suposto caso, que o atual presidente nega.
"Veja, eu sei o quanto Donald é sujo", escreveu Epstein no e-mail. "Meu palpite é que pessoas de negócios de NY que não são advogadas não têm ideia do que significa ter seu fixador virando informante."
A conversa por e-mail começou quando Ruemmler enviou a Epstein uma coluna do New York Times sobre a confissão de culpa de Cohen e o que isso poderia significar para Trump.
Seu e-mail dizia: "O caso fundamentado para o impeachment está claro"
"O que falta é coragem", cita a coluna.
Trump não sofreu impeachment e nunca enfrentou acusações federais sobre o assunto, apesar de uma longa investigação. No entanto, o promotor distrital de Manhattan posteriormente conseguiu uma denúncia contra ele em acusações estaduais relacionadas ao caso.
O republicano foi condenado no ano passado por 34 acusações criminosas de falsificação de registros comerciais para encobrir os pagamentos.
Epstein trocou correspondências com Steve Bannon sobre o então príncipe Andrew e Trump
No início de junho de 2019, o presidente Trump fez uma visita de Estado ao Reino Unido, onde foi recebido pelo então príncipe Andrew. Uma foto mostra Andrew sorrindo enquanto aperta a mão de Trump.
Em uma troca de e-mails de junho de 2019 com Steve Bannon, ex-estrategista-chefe da Casa Branca de Trump, Jeffrey Epstein escreveu: "príncipe andrew e trump hoje... Muito engraçado". E então acrescentou: "lembre-se que a acusadora do príncipe andrew veio do mar-a-lago".
Bannon respondeu: "Não acredito que ninguém está fazendo você ser a conexão".
Não está claro exatamente o que Bannon quis dizer com a mensagem. Trump o demitiu da Casa Branca em 2017, embora Bannon tenha permanecido influente na política conservadora, como continua até hoje.
Trump e Andrew socializavam juntos nos anos 1990 e 2000, segundo reportagens de jornais, ao lado de Epstein e Ghislaine Maxwell, às vezes em Mar-A-Lago. O Rei Charles retirou o título de príncipe de Andrew em outubro.
A CNN entrou em contato com Bannon para comentar, mas não obteve resposta imediata.

Empresário afirmou ter "entregue" jovem namorada a Trump na década de 1990; presidente negou qualquer irregularidade
Muitas das trocas de e-mails mostram pessoas insinuando que Epstein tinha informações prejudiciais sobre Trump e sugerindo que ele as tornasse públicas.
Epstein geralmente não se envolvia com essas sugestões. Mas em um momento no final de 2015, ele disse a um repórter do New York Times que poderia produzir "fotos de donald e garotas de biquíni na minha cozinha".
Mais tarde, na mesma sequência de e-mails, o empresário também fez alusão a uma mulher que ele alegou que tanto ele quanto Trump haviam namorado nos anos 1990.
"minha namorada de 20 anos em 1993, que depois de dois anos eu passei para donald", disse ele, linkando para uma página da web com a mulher.
Um álbum indecente anteriormente publicado para o 50º aniversário de Epstein fazia alusão a uma situação semelhante
Os documentos incluíam uma piada sobre Epstein ter vendido "uma mulher totalmente depreciada" para Donald Trump.
O republicano afirma que os documentos são uma "farsa" e tem negado consistentemente qualquer irregularidade.



