Trump e Starmer conversam em meio a desentendimentos sobre Oriente Médio

Presidente americano fez críticas após o Ministério da Defesa britânico anunciar que estava preparando um porta-aviões para possível deslocamento

William James, da Reuters
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O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, conversou com o presidente dos EUA, Donald Trump, neste domingo (8), menos de um dia depois de Trump ter criticado o líder britânico mais uma vez por uma suposta falta de apoio à campanha dos EUA contra o Irã.

"Os líderes começaram discutindo a situação atual no Oriente Médio e a cooperação militar entre o Reino Unido e os EUA por meio do uso de bases da RAF (Força Aérea Real Britânica) em apoio à autodefesa coletiva dos parceiros na região", disse uma porta-voz do gabinete de Starmer em um comunicado.

"O primeiro-ministro também expressou suas sinceras condolências ao presidente Trump e ao povo americano pelas mortes de seis soldados americanos", acrescentou.

"Eles esperam conversar novamente em breve", concluiu o porta-voz.

O comunicado não mencionou as declarações mais recentes de Trump, feitas em uma publicação no Truth Social, onde ele respondeu à notícia de que o Reino Unido poderia enviar um porta-aviões para a região, dizendo: "Não precisamos de pessoas que se juntam a guerras depois que já vencemos!"

A publicação nas redes sociais surge após o Ministério da Defesa britânico ter anunciado, no sábado, que estava preparando o porta-aviões Príncipe de Gales para um possível destacamento.

No entanto, nenhuma decisão final foi tomada sobre o envio do porta-aviões para o Oriente Médio, afirmou um oficial britânico.

Envolvimento na guerra

No sábado (7), Trump afirmou que o Reino Unido está "considerando seriamente" o envio de dois porta-aviões para o Oriente Médio, mas acrescentou que os EUA não precisam deles para vencer a guerra contra o Irã, no mais recente conflito entre os aliados militares.

Trump criticou repetidamente o primeiro-ministro britânico, sugerindo esta semana que ele ajudou a "arruinar" a relação historicamente próxima entre os países, depois que Londres bloqueou inicialmente o uso de bases britânicas pelos EUA para atacar o Irã.

Starmer defendeu sua decisão de não permitir que as forças americanas utilizassem bases britânicas para apoiar ataques iniciais contra o Irã, alegando que precisava ter certeza de que qualquer ação militar fosse legal e bem planejada.

Posteriormente, ele concedeu permissão às forças americanas para usar bases britânicas para o que chamou de ataques defensivos contra mísseis iranianos em depósitos ou lançadores.

Questionada sobre os comentários de Trump, a ministra das Relações Exteriores britânica, Yvette Cooper, disse à Sky News no domingo que "O que aprendi fazendo este trabalho é que você precisa se concentrar na substância e não em publicações nas redes sociais".

"Não vamos agir com base em retórica ou hipérboles. Vamos agir de forma prática, calma e com decisões firmes. Porque acredito que, de forma geral, o caráter britânico é o de fazer as coisas de maneira séria e constante", afirmou Cooper.

Starmer criticou, no início deste ano, o desejo de Trump de comprar a Groenlândia e disse que seus comentários sobre as tropas europeias evitarem o combate na linha de frente da guerra no Afeganistão eram "francamente deploráveis".

(Com informações de Costas Pitas e Andrew MacAskill, da Reuters)