Trump não endossa "cheque em branco" para Netanyahu, diz Gunther Rudzit
Professor de Relações Internacionais da ESPM avalia que interesses econômicos com monarquias do Golfo Pérsico podem influenciar posicionamento do presidente americano no Oriente Médio
A relação entre Donald Trump e Benjamin Netanyahu pode estar passando por uma fase de cautela, segundo análise do professor de Relações Internacionais da ESPM, Gunther Rudzit. O especialista aponta que Trump tem dado sinais claros de não endossar um "cheque em branco" para as ações do líder israelense.
Rudzit destaca dois eventos significativos que corroboram essa interpretação. Primeiramente, a recente visita de Trump ao Oriente Médio, na qual ele não incluiu Israel em seu roteiro. Em segundo lugar, a crítica pública feita por Trump a Netanyahu nas redes sociais, em letras maiúsculas, após o bombardeio israelense que sucedeu um acordo de cessar-fogo.
A análise foi durante participação no programa WW Especial, da CNN, deste domingo (29), que discutiu a situação do Oriente Médio após guerra Israel-Irã.
O analista sugere que a postura de Trump pode estar mais alinhada com os interesses das monarquias do Golfo Pérsico do que com os de Israel. "Ele tem uma cabeça mercantilista, ele não tem uma cabeça estratégica", afirma Rudzit, referindo-se à perspectiva de Trump sobre as relações internacionais.
Segundo o professor, as monarquias do Golfo, especialmente a Arábia Saudita, têm investido bilhões de dólares nos Estados Unidos e em projetos ligados a Trump e seus associados. "Essa realidade econômica pode estar influenciando significativamente a abordagem do presidente americano na região", sugere.
Busca por estabilidade regional
Rudzit também menciona os esforços do príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, para reorganizar o Oriente Médio. A recente reaproximação diplomática entre Arábia Saudita e Irã é vista como parte de uma estratégia mais ampla para promover a estabilidade na região, visando criar um ambiente propício para investimentos e desenvolvimento econômico.
"Paz é que faz os negócios prosperarem, e o grande projeto de mudança da Arábia Saudita depende da paz", explica o professor da ESPM, sugerindo que a visão de Netanyahu para a região pode não estar alinhada com os interesses de longo prazo de atores importantes como a Arábia Saudita e, por extensão, com os interesses econômicos de Trump na região.
WW Especial
Apresentado por William Waack, programa é exibido aos domingos, às 22h, em todas as plataformas da CNN Brasil.



