Trump pede demissão de Jimmy Kimmel após comentário sobre Melania

Apresentador de talk show disse que primeira-dama “tinha um brilho como o de uma viúva à espera” antes de ataque em jantar de correspondentes da Casa Branca

Rollo Ross, da Reuters
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta segunda-feira (27) que Jimmy Kimmel deveria ser imediatamente demitido pela ABC e pela Walt Disney, após a primeira-dama, Melania Trump, criticar o apresentador de talk show sobre um monólogo feito antes do ataque no jantar de correspondentes da Casa Branca.

Kimmel disse na última quinta-feira (23), em um quadro de paródia do jantar dos correspondentes da Casa Branca, que Melania Trump “tinha um brilho como o de uma viúva à espera”.

Trump e a primeira-dama foram retirados do jantar no sábado (25), depois de um ataque a tiros no saguão do hotel Washington Hilton, onde acontecia o jantar dos correspondentes. Um suspeito identificado como Cole Allen avançou através de um posto de controle e atirou contra agentes do Serviço Secreto, ferindo um deles, antes de ser derrubado e preso.

 

 

Trump tem pedido repetidamente que as emissoras acabem com programas de comédia ou de notícias dos quais ele não gosta ou que criticaram o governo. Ele também pressionou as agências reguladoras a tomarem medidas para revogar licenças de emissoras que ele diz serem parciais.

As emissoras têm amplos direitos previstos pela Primeira Emenda para fazer piadas - mesmo aquelas que sejam desagradáveis, observam os especialistas.

Na manhã desta segunda-feira, Melania Trump chamou os comentários de Kimmel de “corrosivos” e um sintoma do que ela descreveu como uma doença política nos Estados Unidos.

Nem a ABC nem a Disney responderam imediatamente aos pedidos de comentários.

A questão representa um desafio inicial para o CEO da Disney, Josh D'Amaro, que assumiu o comando no mês passado.

"Já chega. É hora da ABC tomar uma posição. Quantas vezes a liderança da ABC permitirá o comportamento atroz de Kimmel às custas de nossa comunidade", disse Melania Trump em um post no X. "Pessoas como Kimmel não deveriam ter a oportunidade de entrar em nossas casas todas as noites para espalhar o ódio."

Ela acrescentou: "A retórica odiosa e violenta de Kimmel tem como objetivo dividir nosso país. Seu monólogo sobre minha família não é comédia - suas palavras são corrosivas e aprofundam a doença política na América."

Donald Trump, que já pediu antes que Kimmel fosse retirado do ar, disse que a piada do comediante era "algo muito além dos limites. Jimmy Kimmel deveria ser imediatamente demitido pela Disney e pela ABC".

Em setembro do ano passado, o chefe da FCC (Comissão Federal de Comunicações) pressionou as emissoras para tirarem Kimmel do ar. A ABC suspendeu brevemente o programa de Kimmel naquele mês devido aos comentários que ele fez sobre o assassinato do ativista conservador Charlie Kirk.

Horas antes da suspensão, o chefe da FCC, Brendan Carr, alertou que as emissoras locais que transmitissem o programa de Kimmel poderiam enfrentar multas ou perda de licenças.

As declarações geraram resistência entre a indústria do entretenimento e políticos de ambos os partidos, incluindo o senador republicano Ted Cruz, que comparou as ameaças de Carr às de um chefe do crime organizado.

Em setembro, o Sinclair Broadcast Group e o Nexstar Media Group retiraram brevemente o programa de Kimmel do ar em suas 70 estações afiliadas à ABC, cobrindo quase 25% das casas dos EUA.

O chefe da FCC aprovou a associação de US$ 3,5 bilhões da Nexstar com a Tegna, mas um juiz dos EUA suspendeu a fusão.

Ele não respondeu a um pedido de comentário sobre as declarações da primeira-dama. O Sinclair e o Nexstar também não comentaram.

Trump, que foi alvo de duas tentativas de assassinato, tem feito repetidos ataques aos meios de comunicação e ameaçou licenças de transmissão.  Em setembro do ano passado, ele elogiou a suspensão do programa de Kimmel.

Em novembro, Trump criticou um correspondente da ABC News por perguntar ao príncipe herdeiro da Arábia Saudita sobre o assassinato de um colunista do Washington Post em 2018 e sugeriu que a FCC deveria agir para revogar as licenças de transmissão das estações ABC de propriedade da Disney.