Trump publica vídeo de IA mostrando ilha petrolífera do Irã sendo destruída
Não há evidências de ofensiva contra principal centro de exportação de petróleo do país; publicação ocorre após novos confrontos entre Washington e Teerã

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou na noite de domingo (30) um vídeo gerado por inteligência artificial que, segundo ele, mostrava a ilha de Kharg, principal centro petrolífero do Irã, sendo “reduzida a destroços”, horas depois de os dois países trocarem ataques pela primeira vez desde julho.
A Casa Branca e o Departamento de Defesa dos EUA não responderam imediatamente aos pedidos de comentário da Reuters feitos fora do horário comercial. Também não houve resposta imediata à publicação de Trump na mídia iraniana.
“Ilha de Kharg sendo reduzida a destroços!!! Presidente DJT”, escreveu Trump em sua plataforma Truth Social no domingo, sem fornecer mais detalhes.
A Reuters confirmou que o vídeo que acompanhava a publicação, mostrando explosões dramáticas, provavelmente foi gerado artificialmente, com o uso de um software que detecta imagens manipuladas por inteligência artificial.
Um ataque contra Kharg, por onde passavam 90% das exportações de petróleo do Irã antes da guerra iniciada pelos ataques dos EUA e de Israel em 28 de fevereiro, interromperia gravemente o comércio de energia do país e exerceria enorme pressão sobre sua economia.
O Irã não buscava uma guerra, mas responderia de forma decisiva a qualquer agressão, afirmou o presidente Masoud Pezeshkian.
“Nunca permaneceremos em silêncio diante de qualquer agressão e responderemos decisivamente aos agressores”, disse ele, segundo a mídia estatal, nesta segunda-feira, antes de uma visita ao Quirguistão.
Não estava claro se ele fez a declaração antes ou depois da publicação de Trump sobre a ilha de Kharg.
O Irã respondeu a um ataque anterior dos EUA contra lançadores de foguetes na ilha de Larak, localizada a cerca de 660 quilômetros a leste de Kharg, com um ataque a duas bases americanas na Jordânia, informou a mídia iraniana. O Exército iraniano afirmou ainda ter atingido a base aérea de Al Minhad, nos Emirados Árabes Unidos, no início desta segunda-feira.
Os ataques na Jordânia tiveram como alvo bases americanas usadas para lançar e apoiar a ofensiva contra Larak, informou o Ministério das Relações Exteriores em um comunicado.
O Exército iraniano afirmou que seu ataque com drones contra a base aérea nos Emirados Árabes Unidos teve como alvo locais onde estavam estacionadas forças e helicópteros americanos, em resposta às baixas provocadas em Larak.
O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica usou mísseis de defesa aérea para derrubar um drone americano que caiu em águas do Golfo, informou a agência de notícias Mehr nesta segunda-feira (31), citando um comunicado da força de elite.
Um superpetroleiro pegou fogo e ficou completamente imobilizado após ser atingido por duas minas navais no sul do Estreito de Ormuz, informou a TV estatal iraniana, citando um comunicado da Guarda Revolucionária.
O retorno das hostilidades no domingo ocorreu após semanas em que o governo Trump intensificou os esforços para punir Teerã e seus parceiros comerciais com sanções econômicas severas, afastando-se de opções militares.
Mais sanções contra o Irã
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse à Reuters neste domingo que novas sanções secundárias provavelmente serão anunciadas semanalmente como parte dos esforços para pressionar o Irã, inicialmente com foco em bancos.
“Estamos começando pelos bancos e dizendo a eles que não é aceitável ter dinheiro iraniano e ajudar o regime”, afirmou Bessent em entrevista.
Depois de impor, na sexta-feira, sanções às filiais nos Emirados Árabes Unidos do Banque Misr, do Egito, por supostos vínculos financeiros com o Irã, Bessent afirmou que o próximo passo pode ser excluir completamente uma instituição do sistema financeiro baseado no dólar.
“Vocês verão muito mais dessas medidas toda semana”, disse Bessent à Reuters antes de uma reunião de líderes financeiros do G20.
Ao descrever os primeiros ataques militares americanos conhecidos desde o fim de julho, uma autoridade dos EUA afirmou que as forças americanas atacaram os lançadores em Larak, uma pequena ilha no Estreito de Ormuz, próxima ao estratégico porto de Bandar Abbas, que tem vista para as rotas marítimas na entrada do Golfo.
“Forças do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica foram observadas se preparando para lançar foguetes com minas navais no Estreito de Ormuz”, acrescentou a fonte.
Em comunicado, o Comando Central dos EUA afirmou ter realizado uma ação “limitada e precisa” contra forças da Guarda Revolucionária responsáveis pela instalação de minas, que representavam uma “ameaça iminente” no estreito. O órgão não forneceu detalhes.
As Forças Armadas da Jordânia interceptaram oito mísseis que entraram em seu espaço aéreo, informou a televisão estatal, enquanto um repórter da Fox News disse no X que quase todos os mísseis que chegavam haviam sido interceptados.
Em meio às ameaças à navegação, o número de navios comerciais visíveis que atravessaram o Estreito de Ormuz caiu para cinco por dia durante o fim de semana, segundo dados de navegação.
O número real pode ser maior, já que algumas embarcações desligaram os sistemas de identificação automática para evitar ataques.
A Guarda Revolucionária afirmou que o superpetroleiro que pegou fogo após ser atingido pelas minas tentava atravessar ilegalmente a área marítima, mas não forneceu detalhes sobre a embarcação ou a tripulação, segundo comunicado citado pela televisão estatal.
A força advertiu que outros navios que desrespeitarem suas normas obrigatórias para atravessar o estreito terão o mesmo destino.
Na semana passada, Trump afirmou que todas as minas haviam sido detonadas ou removidas das águas internacionais do estreito e que o Irã havia sido alertado de que qualquer embarcação que instalasse novas minas seria destruída.
Embora Trump tenha afirmado repetidamente que o Estreito de Ormuz está aberto, a Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica classificou as declarações como “uma mentira óbvia” e reiterou que o estreito permanece fechado para navios sem autorização iraniana.
Antes de ser bloqueada durante a guerra entre Irã e Israel, que já dura seis meses, a via marítima era responsável pelo transporte de quase um quinto das remessas mundiais de petróleo bruto e gás natural liquefeito.
O Irã é o terceiro maior produtor da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo).


