Trump volta a processar jornal em US$ 10 bi por reportagens sobre Epstein

Ação do presidente dos Estados Unidos se dá devido a publicações feitas pelo Wall Street Journal que o ligavam ao criminoso Jeffrey Epstein

Jack Queen, Anusha Shah e Edwina Gibbs, da Reuters
Compartilhar matéria

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, entrou com um novo processo por difamação na quarta-feira (27), pedindo pelo menos US$ 10 bilhões em indenização contra o Wall Street Journal por reportagens sobre sua ligação com Jeffrey Epstein, após um juiz ter rejeitado uma versão anterior do processo por deficiências legais.

O processo é um dos vários que Trump moveu em sua capacidade pessoal contra veículos de comunicação, parte do que críticos consideram uma campanha de pressão mais ampla contra a mídia.

O processo do presidente americano alega que o jornal, de propriedade de Rupert Murdoch, manchou sua reputação com um artigo que descrevia um cartão de aniversário para o falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein como contendo a assinatura de Trump.

O republicano e seus advogados afirmam que o cartão é falso, mesmo após ter sido divulgado por parlamentares que investigam o caso Epstein.

Segundo o processo, Trump está pedindo pelo menos US$ 10 bilhões em indenização. Ele já havia pedido o mesmo valor anteriormente.

"No momento da publicação, os réus desconsideraram de forma imprudente se as declarações difamatórias eram verdadeiras e/ou evitaram propositalmente a descoberta da verdade", escreveram os advogados de Trump na queixa emendada.

O processo judicial apresentado no tribunal federal de Miami nomeia Rupert Murdoch, Dow Jones, News Corp NWSA.O e seu CEO, Robert Thomson, juntamente com dois repórteres do Wall Street Journal, Khadeeja Safdar e Joseph Palazzolo, como réus, alegando que eles difamaram Trump e o fizeram sofrer danos financeiros e de reputação "avassaladores".

A Dow Jones afirmou ter plena confiança no rigor e na precisão da reportagem do Journal e que defenderá vigorosamente o processo.

O juiz distrital dos EUA, Darrin P. Gayles, nomeado pelo ex-presidente Barack Obama, rejeitou a primeira queixa de Trump em abril.

O juiz considerou que o presidente americano não havia cumprido o padrão legal de "dolo específico" para figuras públicas em casos de difamação, que exige provas de que o réu publicou uma declaração que sabia ou deveria saber ser falsa.

Trump também entrou com ações judiciais por difamação e outras ações contra outras organizações de mídia, incluindo o New York Times, a BBC e o Des Moines Register, de Iowa. Esses veículos negaram qualquer irregularidade e estão contestando os casos na justiça.

O governo Trump agiu para restringir o acesso da imprensa a agências governamentais e ameaçou usar poderes regulatórios contra veículos críticos, atraindo contestações judiciais por parte de organizações de mídia.

Relação de Donald Trump e Jeffrey Epstein

A Casa Branca descreveu Trump como o presidente dos EUA mais aberto e acessível de todos os tempos, afirmando que seu governo ampliou o acesso da imprensa de maneiras sem precedentes.

Epstein, o financista e criminoso sexual desonrado, morreu em uma cela de prisão em Nova York em 2019.

Seu caso gerou teorias da conspiração que se tornaram populares entre a base de apoiadores de Trump, que acreditavam que o governo estava acobertando os laços de Epstein com os ricos e poderosos.

Trump afirmou ter se afastado de Epstein antes que os problemas legais do financista se tornassem públicos em 2006.