Turquia pede prisão de Netanyahu por caso de flotilha com brasileiros

Episódio envolveu forças israelenses abrindo fogo contra duas embarcações da "Global Samud"; grupo levava 3 brasileiras em outros navios

Da CNN Brasil*
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A Turquia anunciou nesta sexta-feira (21) que buscaria a emissão de um alerta vermelho da Interpol para a prisão do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, no âmbito de um processo criminal interno relacionado a um ataque contra ativistas que tentavam levar ajuda humanitária a Gaza.

Membro da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), a Turquia tem sido uma das nações críticas mais ferrenhas da ofensiva de Israel em sua campanha em Gaza e já havia emitido mandados de prisão nacionais contra Netanyahu devido à guerra na região. O país tem solicitado repetidamente medidas internacionais contra Israel em razão do que Ancara classifica como violações dos direitos humanos e do direito internacional. Israel nega essas acusações.

Em maio, forças israelenses abriram fogo contra pelo menos duas embarcações da flotilha "Global Sumud" que navegavam em direção a Gaza, em uma nova tentativa de entregar ajuda ao enclave, após missões anteriores terem sido interceptadas por Israel em águas internacionais.

Na ocasião, 3 brasileiras em outros barcos chegaram a ser detidas pelas autoridades de Israel.

Em uma publicação na rede social X, o ministro da Justiça da Turquia, Akin Gurlek, afirmou que mandados de prisão foram emitidos contra Netanyahu e outro suspeito, sob acusações que incluem genocídio, crimes contra a humanidade e tortura, como parte de um processo contra 35 pessoas referente à interceptação israelense em águas internacionais.

"Em conformidade com os mandados de prisão emitidos contra Benjamin Netanyahu... nosso Ministério da Justiça solicitou ao Ministério do Interior a emissão de alertas vermelhos (da Interpol) para que eles possam ser procurados internacionalmente", disse Gurlek.

A Turquia utilizará todos os mecanismos legais disponíveis para garantir que Israel seja responsabilizado por seus crimes em Gaza, acrescentou ele.

Um alerta vermelho é uma solicitação feita a forças policiais de todo o mundo para localizar e prender provisoriamente uma pessoa, aguardando sua extradição.

A Interpol analisa as solicitações enviadas pelos países-membros antes de decidir se emitirá ou não os alertas vermelhos.

Brasileiras a bordo da flotilha

Três brasileiras estavam a bordo da Flotilha Global Sumud que foi interceptada por forças israelenses no dia 18 de maio. Ariadne Teles, Beatriz Moreira de Oliveira e Thainara Rogério faziam parte do grupo que tinha Gaza como destino.

As brasileiras afirmaram que faziam uma missão legítima para romper o "cerco ilegal" a Gaza. Elas também acusaram Israel de realizar a interceptação de maneira violenta e pediram ao governo brasileiro para garantir a libertação e a livre passagem da flotilha.

Em nota, a organização afirmou que os participantes foram transportados pelos militares israelenses para um porto na Palestina ocupada. A nota diz que centenas de participantes foram apreendidos - entre eles, médicos, jornalistas e pessoas de mais de 40 nações.

As três mulheres retornaram ao Brasil pouco mais de uma semana depois.

Israel classifica medida como "patética"

Questionado sobre a declaração de Gurlek, o gabinete de Netanyahu afirmou: "A tentativa patética de (do presidente turco Tayyip) Erdogan de intimidar os líderes e soldados de Israel — a única democracia verdadeira no Oriente Médio — não levará a lugar algum."

A Turquia e Israel também trocaram críticas nesta semana em relação à Síria, onde Israel realizou ataques aéreos contra uma base aérea, local para o qual, segundo Israel, tropas turcas poderiam ser enviadas, provocando condenação por parte de Ancara e críticas dos Estados Unidos.

A Síria declarou que não havia planos para o envio de tropas turcas à base. A influência da Turquia na Síria, na qualidade de aliada do presidente sírio Ahmed al-Sharaa, tem gerado preocupação em Israel desde que Sharaa derrubou o veterano líder Bashar al-Assad em 2024.

Ancara afirmou que a retórica israelense contra a Turquia e suas ações na Síria é alimentada pela proximidade das eleições parlamentares em Israel, marcadas para outubro.

(Com informações da Reuters)*