Ucrânia acusa Rússia de ajudar Irã com apoio cibernético e espionagem

Satélites russos mapearam alvos militares e críticos no Oriente Médio para Teerã, segundo inteligência ucraniana

Tom Balmforth e John Irish, da Reuters
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Satélites russos realizaram dezenas de levantamentos detalhados de imagens de instalações militares e locais críticos no Oriente Médio para ajudar o Irã a atacar forças americanas e outros alvos, segundo uma avaliação da inteligência ucraniana.

As conclusões, analisadas pela agência de notícias Reuters, também constataram que hackers russos e iranianos colaboraram no domínio cibernético. Elas representam o relato mais detalhado até o momento sobre como a Rússia forneceu apoio secreto ao Irã desde que Israel e os Estados Unidos lançaram o primeiro ataque em 28 de fevereiro.

Segundo a avaliação, sem data, os satélites russos realizaram pelo menos 24 levantamentos de áreas em 11 países do Oriente Médio entre 21 e 31 de março, abrangendo 46 "objetos", incluindo bases militares americanas e de outros países, além de aeroportos e campos de petróleo.

Poucos dias após serem mapeados, as bases militares e quartéis-generais foram alvejados por mísseis balísticos e drones iranianos, o que foi descrito como um padrão claro.

Uma fonte militar ocidental e uma fonte de segurança regional independente disseram à agência de notícias Reuters que seus serviços de inteligência também indicavam intensa atividade de satélites russos na região e afirmaram que imagens foram compartilhadas com o Irã.

Pelo menos nove levantamentos cobriram partes da Arábia Saudita, incluindo cinco sobre a Cidade Militar Rei Khalid, perto de Hafar Al-Batin, em uma aparente tentativa de localizar componentes do sistema de defesa aérea THAAD, de fabricação americana, segundo a avaliação ucraniana.

Áreas da Turquia, Jordânia, Kuwait e Emirados Árabes Unidos também foram monitoradas por satélite duas vezes, enquanto locais em Israel, Catar, Iraque, Bahrein e na Base de Apoio Naval de Diego Garcia foram monitorados uma vez, informou o relatório.

Em uma tendência emergente, acrescentou a avaliação, satélites russos estavam monitorando ativamente o Estreito de Ormuz, uma via navegável vital para um quinto do fluxo global de petróleo e GNL, onde o Irã impôs um bloqueio de fato a todas as embarcações, exceto aquelas consideradas "não hostis".

A Reuters não conseguiu confirmar de forma independente o conteúdo da avaliação ucraniana.

A porta-voz da Casa Branca, Olivia Wales, afirmou que nenhum apoio externo ao Irã, vindo de qualquer país, está afetando o sucesso operacional dos Estados Unidos.

O Ministério das Relações Exteriores iraniano não se manifestou imediatamente.

O Ministério da Defesa da Rússia, que invadiu a Ucrânia há quatro anos, não respondeu a um pedido de comentário.

Ucrânia avalia a comunicação entre Rússia e Irã

Líderes europeus pressionaram o secretário de Estado americano, Marco Rubio, sobre o assunto em uma reunião do G7 no mês passado. Dois diplomatas disseram que Rubio não respondeu às acusações, embora tenha minimizado publicamente a ajuda russa ao Irã, considerando-a insignificante.

A avaliação ucraniana afirmou que a troca de imagens de satélite estava sendo organizada por meio de um canal de comunicação permanente usado pela Rússia e pelo Irã, e que também poderia ser facilitada por espiões militares russos estacionados em Teerã.

A fonte de segurança regional confirmou um caso específico detalhado na avaliação ucraniana, divulgado pelo presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy na semana passada.

Nesse caso, um satélite russo capturou imagens da Base Aérea Príncipe Sultan, na Arábia Saudita, dias antes de o Irã atacar a instalação em 27 de março, atingindo uma sofisticada aeronave E-3 Sentry AWACS dos EUA, segundo a avaliação.

Um satélite russo sobrevoou o mesmo local em 28 de março para avaliar o impacto do ataque, também de acordo com a avaliação.

Parceria estratégica entre os países

A Rússia e o Irã estreitaram seus laços militares desde que o presidente russo, Vladimir Putin, ordenou uma invasão em larga escala da Ucrânia em fevereiro de 2022.

Em particular, a Ucrânia e o Ocidente afirmam que o Irã forneceu drones de ataque Shahed de longo alcance à Rússia, que, por sua vez, os utilizou para bombardear a Ucrânia, além de desenvolver suas próprias variantes mais sofisticadas.

O Irã nega ter fornecido armas usadas contra a Ucrânia.

Putin e o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, assinaram então um Tratado de Parceria Estratégica Abrangente em janeiro do ano passado.

O Artigo 4º do Tratado estabelece que "a fim de fortalecer a segurança nacional e combater ameaças comuns, os serviços de inteligência e segurança das Partes Contratantes trocam informações e experiências".

Operações cibernéticas da Rússia e Irã

A avaliação da inteligência ucraniana e a fonte de segurança regional afirmaram que a Rússia parece estar fornecendo assistência ao Irã no domínio cibernético.

Grupos de hackers controlados pelo Irã intensificaram suas operações desde o final de fevereiro, visando principalmente infraestruturas críticas e empresas de telecomunicações no Golfo, disseram eles.

A avaliação ucraniana afirmou que grupos de hackers russos e iranianos estavam interagindo via Telegram e observou a colaboração entre os grupos russos "Z-Pentest Alliance", "NoName057(16)" e "DDoSia Project" e o grupo iraniano "Handala Hack".

Por exemplo, no mês passado, grupos como o Handala Hack publicaram um alerta no Telegram sobre ataques aos sistemas de informação e comunicação de empresas de energia israelenses.

Os grupos russos também divulgaram credenciais de acesso a sistemas de controle em instalações de infraestrutura crítica em Israel, segundo a avaliação.

Grupos de hackers iranianos também utilizaram algumas técnicas em operações que indicavam tê-las obtido de hackers da inteligência militar russa, afirmou a avaliação.

Por exemplo, os grupos de hackers iranianos "Homeland Justice" (UAC-0074) e "Karmabelow80" utilizaram o ProfitServer, um provedor russo de VPS de Chelyabinsk, para registrar domínios.