Ucrânia desafia Trump e lança um dos seus maiores ataques contra a Rússia

Ação desafia exigência do presidente americano para interromper investidas contra infraestrutura de energia e deixou feridos em São Petersburgo

Tim Lister e Daria Tarasova Markina, da CNN

A Ucrânia lançou, na noite de sábado (17), um de seus maiores ataques com drones contra a Rússia este ano, atingindo um importante terminal petrolífero — desafiando, assim, a exigência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que o país parasse de atacar a infraestrutura energética russa.

Tensões entre a Ucrânia e os EUA têm crescido nos últimos dias, gerando receios em Kiev de que o país possa perder um apoio essencial, justamente quando se aproxima mais um inverno sob ataques russos implacáveis.

Ainda assim, a Ucrânia mantém seus ataques de longo alcance em território russo.

O Ministério da Defesa da Rússia informou ter abatido 1.015 drones ucranianos na madrugada, em diversas regiões do país.

Segundo as autoridades russas, um dos alvos foi o Terminal Petrolífero de São Petersburgo, que tem capacidade para movimentar até 12,5 milhões de toneladas por ano.

A empresa ucraniana Fire Point, fabricante dos drones utilizados na operação, relatou a ocorrência de um incêndio nas instalações do terminal após o ataque.

Um centro logístico em São Petersburgo também foi atacado, segundo a Ozon, uma empresa russa de distribuição.

Uma pessoa morreu e cinco ficaram feridas nos ataques, que também causou danos a residências, de acordo com as autoridades locais.

Os ataques da Ucrânia ocorrem em um momento de deterioração na relação entre o presidente Volodymyr Zelensky e Trump, que, na semana passada, classificou as investidas de Kiev contra refinarias de petróleo russas como uma “vergonha”.

Há uma semana, Trump afirmou que a Rússia e a Ucrânia haviam concordado em parar de atacar a infraestrutura energética uma da outra — um movimento que ocorre enquanto a Casa Branca tenta aliviar a pressão sobre os preços do petróleo e do diesel antes de eleições de meio de mandato cruciais.

Nem Kiev nem Moscou confirmaram a existência de tal acordo.

A Ucrânia chegou a interromper brevemente esses ataques, mas os retomou posteriormente — ao passo que a Rússia nunca cessou suas investidas contra instalações energéticas e cidades ucranianas.

Onze pessoas morreram e quase 50 ficaram feridas em toda a Ucrânia, vítimas de ataques russos com mísseis e drones nas 24 horas que antecederam a manhã de domingo, segundo autoridades ucranianas — incluindo o que classificaram como um ataque em larga escala contra instalações de energia na região de Odessa.

“Desde que o presidente americano anunciou, há uma semana, uma trégua no setor energético, a Rússia atacou deliberadamente os setores de energia, petróleo e gás da Ucrânia 76 vezes”, escreveu Zelensky no X, neste domingo.

“Os Estados Unidos deveriam perceber que a Rússia não está adotando nenhuma medida recíproca em resposta ao alívio de sanções ou a acordos”, disse Zelensky. “Pelo contrário, eles interpretam cada sinal de oportunidade de ganhar dinheiro como prova de que sua aposta na guerra está dando resultados e que podem continuar lutando.”

Trump suspendeu sanções sobre a importação de diesel russo e, na sexta-feira (16), recorreu a uma autorização especial para isentar a Rússia de amplas penalidades econômicas determinadas pelo Congresso dos EUA — uma medida que provocou críticas, inclusive por parte de republicanos.

Zelensky também afirmou que o acesso das Forças Armadas ucranianas ao sistema Starlink, utilizado para orientar drones de curto alcance e drones empregados no campo de batalha, continua restrito.

“A velocidade máxima, hoje, é de 161 quilômetros por hora. Acima disso — pelo que vi e ouvi nos relatórios —, o Starlink é desativado e perdemos o drone”, disse ele no sábado.

O presidente ucranino acrescentou que as restrições também afetam a defesa da Ucrânia. “Infelizmente, no momento, não podemos mais utilizar o Starlink ou o Starshield em nosso território para abater drones ‘Shahed’ movidos a jato” — referindo-se aos drones que têm causado tantos danos no país.

O Starshield é um sistema mais avançado, desenvolvido para atender a necessidades governamentais e de segurança nacional.

“As restrições estão em vigor em território ucraniano, mas não se aplicam dentro da União Europeia. Em outras palavras, trata-se de uma operação planejada... para nos restringir, nos isolar e nos impedir de nos defender e de proteger nosso povo”, disse o presidente ucraniano no sábado.

A administração Trump nega estar restringindo o serviço.

Na semana passada, Kiev também afirmou que passou a enfrentar ataques de mísseis balísticos russos sem qualquer alerta por parte dos aliados.

As redes de satélites dos EUA têm sido fundamentais para fornecer aos militares ucranianos avisos sobre a aproximação de mísseis.

 

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