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    Ucrânia diz que plano de Putin de posicionar armas nucleares desestabilizará Belarus

    Esta pode ser a primeira vez desde meados da década de 1990 que a Rússia deixará armas do tipo fora do país

    Soldados carregam armamentos antes de ataque a tropas russas, em Bakhmut, Ucrânia
    Soldados carregam armamentos antes de ataque a tropas russas, em Bakhmut, Ucrânia 05/03/2023REUTERS/Anna Kudriavtseva

    Dan Peleschukda Reuters

    Um alto conselheiro de segurança do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse neste domingo (26) que os planos russos de posicionar armas nucleares táticas em Belarus desestabilizariam o país vizinho, que ele pontuou ter sido feito “refém” por Moscou.

    O presidente da Rússia, Vladimir Putin, anunciou a decisão no sábado (25), enviando um alerta à Otan sobre seu apoio militar à Ucrânia e aumentando o impasse com o Ocidente.

    Embora o movimento não tenha sido inesperado e Putin tenha dito que não violaria as promessas de não proliferação nuclear, é um dos sinais nucleares mais pronunciados da Rússia desde o início de sua invasão contra a Ucrânia, 13 meses atrás.

    Oleksiy Danilov, chefe do Conselho Nacional de Segurança e Defesa da Ucrânia, chamou isso de “um passo em direção à desestabilização interna do país”, acrescentando que maximiza o que chamou de nível de “percepção negativa e rejeição pública” da Rússia e de Putin na sociedade belorussa.

    “O (K)remlin tomou Belarus como refém nuclear”, escreveu no Twitter.

    Putin comparou seus planos com os Estados Unidos posicionando suas armas na Europa e disse que a Rússia não transferiria o controle dos equipamentos para Belarus.

    No entanto, esta pode ser a primeira vez desde meados da década de 1990 que a Rússia estará deixando tais armas fora do país.

    Outro conselheiro sênior de Zelensky zombou do plano de Putin, ressaltando que o líder russo é “muito previsível”.

    “Fazendo uma declaração sobre armas nucleares táticas em Belarus, ele admite que tem medo de perder e tudo o que pode fazer é assustar com táticas”, punblicou Mykhailo Podolyak no Twitter.

    Os EUA, a outra superpotência nuclear do mundo, minimizaram as preocupações sobre o anúncio de Putin e o potencial de Moscou usar armas nucleares na guerra na Ucrânia.

    “Não vimos nenhuma razão para ajustar nossa própria postura nuclear estratégica nem quaisquer indícios de que a Rússia esteja se preparando para usar uma arma nuclear. Continuamos comprometidos com a defesa coletiva da aliança da Otan”, observou um alto funcionário do governo americano.

    O funcionário ponderou que Rússia e Belarus já falavam sobre a transferência de armas nucleares há algum tempo.

    Analistas do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), com sede em Washington, disseram em nota no final do sábado que o risco de uma escalada para uma guerra nuclear “permanece extremamente baixo”.

    “O ISW continua avaliando que Putin é um ator avesso ao risco que repetidamente ameaça usar armas nucleares sem qualquer intenção de seguir em frente para quebrar a determinação ocidental”, destacaram.

    No entanto, a Campanha Internacional para Abolir as Armas Nucleares chamou o anúncio de uma escalada extremamente perigosa.

    “No contexto da guerra na Ucrânia, a probabilidade de erro de cálculo ou má interpretação é extremamente alta. Compartilhar armas nucleares torna a situação muito pior e arrisca consequências humanitárias catastróficas”, avaliou.

    Putin reclama de um “eixo” ocidental

    Vladimir Putin afirmou que o presidente belarusso, Alexander Lukashenko, solicitava a implantação das armas há muito tempo. Não houve declaração imediata de Lukashenko.

    Embora o exército belarusso não tenha lutado formalmente na Ucrânia, os países têm uma estreita relação militar. Belarus permitiu que Moscou usasse seu território para enviar tropas à Ucrânia no ano passado e as duas nações intensificaram o treinamento militar conjunto.

    Putin também negou no domingo que estava criando uma aliança militar com Pequim e, em vez disso, afirmou que as potências ocidentais estão construindo um novo “eixo” semelhante à parceria entre a Alemanha e o Japão durante a Segunda Guerra Mundial.

    “É por isso que os analistas ocidentais estão falando sobre o Ocidente começar a construir um novo eixo semelhante ao criado na década de 1930 pelos regimes fascistas da Alemanha e Itália e do Japão militarista”, ressaltou.

    Isso foi uma represália a um tema que ele costuma usar em seu retrato da guerra – que Moscou está lutando contra uma Ucrânia sob o domínio de supostos nazistas, auxiliados por potências ocidentais que ameaçam a Rússia.

    A Ucrânia – que fazia parte da União Soviética e sofreu devastação nas mãos das forças de Hitler – rejeita esses paralelos como pretextos para uma guerra de conquista imperial.

    No campo de batalha, o exército ucraniano mostrou mais otimismo nos últimos dias sobre a brutal batalha de meses pela cidade oriental de Bakhmut.

    Bakhmut é um dos principais alvos russos, enquanto o país tenta capturar totalmente a região industrializada de Donbass. A certa altura, os comandantes russos expressaram confiança de que a cidade cairia em breve, mas essas afirmações diminuíram em meio a intensos combates.

    As forças ucranianas conseguiram conter a ofensiva em Bakhmut e arredores, onde a situação está se estabilizando, disse o comandante-em-chefe, general Valery Zaluzhniy, no sábado.

    O Estado-Maior pontuou no domingo que as forças ucranianas repeliram 85 ataques russos nas últimas 24 horas em várias partes da frente oriental, incluindo a área de Bakhmut.