
Último dia de negociações na COP30: vai ter acordo?
Segundo o Bastidores CNN, apesar do apoio de mais de 80 países, plano brasileiro para redução do uso de petróleo enfrenta resistência de nações árabes, China e Índia nas negociações finais
O último dia de negociações da COP30 é marcado por intensos debates sobre a inclusão do "mapa do caminho" para o fim da dependência dos combustíveis fósseis na declaração final do evento. A proposta brasileira, que conta com o apoio de mais de 80 países, enfrenta significativa resistência de nações produtoras de petróleo. A apuração é do Bastidores CNN.
"É um tema caro ao presidente da República. O Lula veio para essa COP com a intenção de ver sair do papel um mapa prevendo o fim da dependência dos combustíveis fósseis", aponta Tainá Falcão: "É um desafio enorme para o Brasil fazer isso acontecer e o presidente Lula sabe".
A iniciativa, que prevê diretrizes para a redução do uso de combustíveis fósseis, tem encontrado forte oposição principalmente da Arábia Saudita, que já havia conseguido remover menções similares em conferências anteriores. Além dos países árabes, grandes poluidores como China e Índia também demonstram resistência à proposta.
Articulação diplomática
Em resposta à ausência do plano no rascunho final, países europeus e latino-americanos elaboraram uma carta manifestando sua indignação e apoio à iniciativa brasileira. "Mais de oitenta países apresentaram ao embaixador André Correia do Lago uma carta demonstrando essa indignação generalizada", relata a jornalista.
Como alternativa à inclusão na declaração final, existe a possibilidade de um acordo lateral entre os países apoiadores. No entanto, mesmo esta solução alternativa dependeria da adesão das nações árabes para ter efetividade prática.
Uma reunião de última hora foi convocada com representantes dos países membros do Acordo de Paris para discutir o tema. O encontro busca estabelecer, ao menos, um compromisso parcial que possa representar um avanço nas negociações sobre o fim da dependência dos combustíveis fósseis.
"Esse é o principal assunto da agenda da ministra Marina Silva, ela quer sair pelo menos com um compromisso lateralizado. O melhor dos mundos seria incluir na declaração final, mas tem essa outra porta", afirma Falcão.


