Um mês de guerra: "Ainda não conseguimos captar que ela se foi”, diz tio de jovem morta pelo Hamas
Tchelet Fishbein-Zaarur, filha de mãe brasileira e conhecida por Celeste, foi encontrada morta perto da fronteira com Gaza

Nesta terça-feira (7), completa-se um mês desde que o grupo islâmico Hamas avançou no território israelense, matando 1.400 pessoas em Israel e sequestrando mais de 240. Desde então, o Exército de Israel tem lançado uma ofensiva aérea e terrestre na Faixa de Gaza, prometendo eliminar o grupo radical.
A estimativa é que ao menos 10.300 pessoas tenham morrido em ambos os lados, conforme dados pelas autoridades de saúde de ambos os lados. A região definitivamente virou do avesso e mudou a vida cotidiana de israelenses e palestinos que, mesmo após um mês de ataque, vivem abalados pelo conflito.
A brasileira Larissa Lima, de 23 anos, vive com namorado israelense em Tel Aviv. A jovem relata que algumas rotinas foram modificadas porque os cidadãos israelenses tiveram que deixar suas casas e empregos para servirem o Exército, como o caso de seu namorado. “O sentimento é que parece que não vai acabar, parece não ter fim, quando achamos que está tudo acalmando, começa tudo de novo”, relata Larissa.
Entre a lista de mortos no atentado do dia 7 de outubro, três brasileiros: o porto-alegrense Ranani Nidejelski Glazer, de 24 anos, e as cariocas Bruna Valeanu, também de 24 anos, e Karla Stelzer, de 42 anos.
Na lista de sequestrados pelo grupo, a jovem de 18 anos Tchelet Fishbein-Zaarur, filha de mãe brasileira e conhecida por Celeste, foi encontrada morta perto da fronteira com Gaza. Ela estava desaparecida desde 7 de outubro.
Na semana que completa um mês dos ataques, Mario Ricardo , tio de Celeste, conta à CNN que a sensação permanece a sensação de luto. Ele é brasileiro e mora há mais de 50 anos em Israel. “Sentimos muita falta. Ainda não conseguimos captar que ela se foi. Parece que ela apenas saiu para algum lugar e que ainda irá voltar”, relata.
Em entrevista, Fishbein também afirmou apoio aos civis afetados em ambos os lados pelo conflito e disse que se sente esperançoso para o fim do conflito. “Espero que termine rápido. A cada dia que passa, é mais sofrimento para os dois lados. Tanto para os inocentes aqui em Israel, quanto para as pessoas em Gaza. Nos dois lados existem pessoas inocentes que estão sofrendo”.
Do outro lado, a situação não é diferente. Nesta segunda-feira (6), o Ministério da Saúde controlado pelo Hamas afirmou que mais de 10.000 pessoas foram mortas na Faixa de Gaza desde que Israel lançou a sua ofensiva militar há um mês.
Segundo o porta-voz do ministério, Ashraf Al Qudra, 10.022 palestinos no enclave foram mortos por ataques israelenses, incluindo 4.104 crianças, 2.641 mulheres e 611 idosos.
Não está claro quantos combatentes estão incluídos no total. A CNN não pôde verificar de forma independente os números divulgados pelo ministério em Gaza, que é isolada por Israel e maioritariamente fechada pelo Egito. Segundo cálculos da CNN baseados nos últimos números divulgados pelo Ministério da Saúde de Gaza, pelo menos uma criança é morta em Gaza a cada dez minutos como resultado do conflito.
Naturalizado brasileiro em 2019, Hasan Rabee está com a mulher na casa de uma irmã em Khan Yunis. Na cidade, que fica no sul de Gaza, há outros dez brasileiros acolhidos na residência de familiares.
À espera de autorização para deixar a Faixa de Gaza, o palestino com cidadania brasileira Hasan Rabee relata o drama no sul da Faixa de Gaza. A ansiedade e a angústia aumentam à medida que o acesso à comida e à água diminuem. “A gente está com bastante esperança e vamos ver se nos próximos dias conseguimos sair”, diz Rabee.
*Com informação de Jussara Soares


